“Café com ministro” reuniu representantes de sindicatos, empresas do PIM, OAB e times de futebol para fortalecer a cultura do diálogo nas relações de trabalho
Com o objetivo de fortalecer a cultura da conciliação na Justiça do Trabalho, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro do Trabalho Guilherme Augusto Caputo Bastos, participou, nesta sexta-feira (7), do evento "Café com o Ministro", promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), no Fórum Trabalhista de Manaus (FTM). O encontro reuniu magistrados, advogados, sindicalistas e empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM) para discutir a ampliação dos métodos consensuais de solução de conflitos trabalhistas.
Participaram da ação diretores e advogados da Moto Honda da Amazônia e da Samsung Eletrônica da Amazônia, que empregam diretamente mais de 10 mil trabalhadores cada; diretores da Caixa Econômica Federal, também dirigentes dos Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (Cut-AM), do Sindicato Patronal (Sinduscom-AM), do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas (SHRBS-AM), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (STIU-AM), entre outros, além de advogados trabalhistas e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (Oab-AM). Também estiveram presentes representantes dos times amazonenses Nacional Futebol Clube (FC) e Amazonas Futebol Clube (FC).
O presidente do TRT-11, Jorge Alvaro Marques Guedes, salientou a relevância da iniciativa para o fortalecimento das relações institucionais e da cultura do diálogo na Justiça do Trabalho. O magistrado ressaltou que o evento se propõe a ir além do cerimonial tradicional, promovendo uma conversa natural e horizontal com os diversos setores da sociedade, o que reforça o compromisso do tribunal com a transparência e a aproximação com a comunidade jurídica e produtiva da região.
Já a representante da região Norte na Comissão Nacional de Promoção à Conciliação (Conaproc) do TST, coordenadora de Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) e Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas da Justiça do Trabalho (Cejusc-JT) de 2º Grau do TRT-11, a desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, enfatizou a essência humanizada do Cejusc-JT, sendo um espaço de acolhimento, escuta ativa e empatia, em que os mediadores se despem da rigidez do formalismo para se aproximarem verdadeiramente das partes. "Chorar com elas, sentir a dor delas e juntos construirmos realmente uma pacificação social, porque a nossa justiça é social."



A desembargadora também falou sobre o pioneirismo do tribunal na realização dos Cejuscs Itinerantes no interior do Amazonas, levando cidadania à população por meio de serviços como emissão de documentos, atendimento médico e orientação previdenciária. “Nos Cejuscs Itinerantes, reunimos mais de 500 pessoas, entre pais, mães, crianças e outros. Divulgamos o que é ser justo e levamos cidadania. Levamos aquilo que geralmente é oferecido no dia a dia, mas a que eles não têm acesso. Oferecemos médicos, psicólogos, exames de todo tipo, ajudamos a emitir as carteiras digitais, a regularizar a situação junto ao INSS e à carteira de trabalho, tudo aquilo que eles não conseguem no dia a dia porque estão trabalhando e cuidando dos filhos."
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, avaliou o evento como uma chance de aproximar os trabalhadores da Justiça do Trabalho. Para ele, iniciativas como o "Café com o Ministro" ajudam a mostrar que o Judiciário está aberto ao diálogo e disposto a ouvir as demandas de quem trabalha no chão de fábrica. "Nós somos totalmente a favor da negociação coletiva, conversar com as empresas antes de qualquer coisa sobre a justiça."



Importância da conciliação
O ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos apontou dados que mostram a relevância econômica da conciliação trabalhista. Segundo Caputo, até julho de 2026, mais de R$ 1,2 bilhão já havia sido injetado na sociedade por meio de acordos trabalhistas, e que, apenas durante a Semana Nacional da Conciliação do ano passado, foram negociados cerca de R$ 2 bilhões em todo o território nacional, um desempenho alcançado com o esforço conjunto de todos os tribunais regionais do trabalho. “Isso é um dinheiro que circula na sociedade, as contas que vão ser pagas, a escola, o restaurante que está funcionando, o supermercado, enfim, está funcionando.”
Para o ministro do TST, a conciliação não é um detalhe, mas o centro da Justiça do Trabalho, e lamentou que essa forma de resolver conflitos tenha sido deixada de lado ao longo do tempo, abrindo espaço para o crescimento da litigiosidade. Caputo Bastos defendeu que o juiz não deve se limitar a aplicar a lei de forma fria e distante, mas atuar como facilitador do diálogo, ajudando as partes a construir juntas uma solução.
Ao defender a necessidade de uma mudança estrutural no comportamento dos atores da Justiça do Trabalho, Caputo enfatizou que a conciliação não pode ser um ato isolado ou excepcional, mas sim uma prática culturalmente enraizada em todos os níveis da relação trabalhista. Além disso, estabeleceu uma relação direta entre a cultura da negociação coletiva e a conciliação, argumentando que ambas devem caminhar juntas para que o diálogo prevaleça sobre a contenda judicial e que os conflitos sejam tratados antes mesmo de se transformarem em processos. "Então, negociem e criem a cultura da conciliação. Para isso, é preciso que todos, juízes, advogados, trabalhadores e empresas, deixem de lado o excesso de formalidades e adotem uma postura de cooperação, ouvindo uns aos outros com atenção e empatia. Nós temos que ouvir a sociedade, ouvir empresas, trabalhadores, entidades sindicais de toda natureza, o Ministério Público do Trabalho, os advogados. Temos que dialogar com todos pois a essência da Justiça do Trabalho é a conciliação" finalizou.






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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Fotos: Michael Dantas
