Atividade reuniu cerca de 150 estudantes e integrou prestação jurisdicional, educação em direitos e promoção da inclusão no interior do Amazonas
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) realizou, no dia 30 de setembro, em Apuí, no sudeste do Amazonas, mais uma edição da campanha “Onde Tem Inclusão, Não Tem Assédio – Enfrentando o Capacitismo”. A iniciativa, voltada à promoção da inclusão, da acessibilidade e do respeito às diferenças, reuniu cerca de 150 estudantes do 6º ao 9º ano do Centro Educacional Padre Faliero. A atividade ocorreu no contexto da Justiça Itinerante da Vara do Trabalho de Humaitá, que também realizou atendimento à população e audiências no município.
A programação foi organizada em três etapas: compreender, reconhecer e agir, e teve início com a participação da juíza do Trabalho Sâmara Christina Souza Nogueira, que apresentou o tema “Deficiência, acessibilidade e capacitismo: conceitos para uma escola inclusiva”. A magistrada abordou a evolução do conceito de deficiência, a diferença entre deficiência e incapacidade, o modelo social da deficiência, terminologias adequadas, diversidade humana, acessibilidade e diferentes tipos de barreiras, com atenção especial às barreiras atitudinais.
Na sequência, o defensor público Helom César da Silva Nunes conduziu a palestra “Capacitismo não é brincadeira: como identificar e combater o assédio e a discriminação na escola”. A apresentação tratou das diferenças entre brincadeira, conflito e violência, além de situações de assédio, bullying, discriminação, apelidos, exclusões e humilhações. O defensor também abordou as consequências emocionais e sociais dessas práticas e a importância da prevenção, da denúncia e do fortalecimento da rede de apoio e proteção.
Encerrando o ciclo de palestras, o técnico judiciário do TRT da 11ª Região Felipe dos Santos Schwarz apresentou o tema “Inclusão começa comigo: atitudes anticapacitistas que transformam a escola”. A fala destacou a importância de atitudes cotidianas de empatia e respeito às diferenças, além de abordar ajuda sem infantilização ou superproteção, comunicação respeitosa, linguagem inclusiva e enfrentamento à exclusão e às práticas discriminatórias.
Dinâmica interativa
Um dos momentos de maior interação com os estudantes ocorreu com a utilização do jogo UNO como ferramenta pedagógica para discutir o enfrentamento ao capacitismo. A carta block foi associada às situações em que alguém tem sua participação impedida; a reverse, à necessidade de inverter o olhar sobre a deficiência; e as cartas +2 e +4, ao acúmulo de preconceitos, apelidos, exclusões e outras barreiras. O coringa foi utilizado para destacar o poder de escolha diante de uma situação de discriminação.
Ao final da atividade, os estudantes receberam jogos UNO como lembrança da ação.
Materiais são entregues nas escolas
A atuação em Apuí também incluiu a entrega de materiais educativos a duas escolas públicas do município. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Francisco Vieira da Costa recebeu cartazes de combate ao trabalho infantil, cartazes da campanha “Um dia sem... Um dia com... trabalho infantil” e 200 gibis de cada uma das publicações “A rotina de um aprendiz” e “Lugar de criança é na escola”.
A Escola Municipal em Tempo Integral Alta União também recebeu cartazes de combate ao trabalho infantil, cartazes da campanha e 200 exemplares de cada um dos dois gibis educativos. A distribuição busca ampliar o alcance das ações de conscientização e manter os conteúdos disponíveis para estudantes e educadores após a passagem da Justiça Itinerante pelo município.
Justiça Itinerante
Além da ação educativa, a equipe da Justiça Itinerante realizou atendimento à população e audiências no Fórum Desembargador Ataliba David Antônio, sede da Vara Única e do Cartório Judicial da Comarca de Apuí, com apoio do juiz titular, Gabriel da Silva Petronetto.
A campanha “Onde Tem Inclusão, Não Tem Assédio – Enfrentando o Capacitismo” conta com o apoio do Comitê Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TRT da 11ª Região, do Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação do TRT-11, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, do Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental da UEA, do Programa de Extensão Guardiões da Amazônia, da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJAM e do Ministério Público do Trabalho.


