Evento nacional realizado pelo TRT-11 reúne representantes de mais de 30 tribunais e instituições do sistema de Justiça, em Manaus, para discutir soluções sustentáveis e os desafios da realidade amazônica

55578105115 34bfeb45fd bO Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) abriu, na manhã desta quinta-feira (8), em Manaus, o V Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário – Rede Norte/CNJ. Realizado em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o evento reúne representantes de mais de 30 tribunais e instituições do sistema de Justiça das cinco regiões do país para compartilhar experiências e discutir sustentabilidade, responsabilidade socioambiental e mudanças climáticas. A edição deste ano tem como tema “Sustentabilidade que conecta, Justiça que transforma”.

A solenidade ocorreu no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA) e foi aberta pelo presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes. Em seu discurso, o magistrado destacou que discutir sustentabilidade na Amazônia exige considerar as características e os desafios da região, como as grandes distâncias e as dificuldades de acesso aos serviços públicos. Para ele, a sustentabilidade no Judiciário envolve não apenas a preservação ambiental, mas também o uso responsável dos recursos públicos, a acessibilidade, a inovação e a melhoria dos ambientes de trabalho. “Em outras palavras, sustentabilidade também é boa gestão”, afirmou.

O presidente ainda ressaltou a importância da cooperação entre os tribunais da Região Norte e defendeu que as experiências bem-sucedidas sejam compartilhadas para enfrentar desafios comuns. “Não precisamos começar sempre do zero. Precisamos conversar mais, compartilhar mais e trabalhar cada vez mais em rede”, disse. Ao abordar a realidade amazônica, salientou que a floresta não pode ser dissociada das pessoas que vivem nela. “O grande desafio não é simplesmente preservar. É encontrar equilíbrio. Preservar e desenvolver. Proteger o meio ambiente e melhorar a vida das pessoas”, afirmou. Ao final, reforçou que a sustentabilidade deve ser entendida como um processo permanente e que o encontro deve resultar em novas ideias, parcerias e ações concretas.

741Conferência aborda riscos de mudanças irreversíveis na Amazônia
A conferência principal do encontro teve como tema “Riscos de Tipping Point da Amazônia: A Urgente Necessidade de Soluções Baseadas na Natureza”. Reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre a Amazônia e as mudanças climáticas, o climatologista Carlos Nobre, que estava previsto para participar presencialmente, acompanhou a programação remotamente por motivos de saúde e fez a apresentação da conferencista Júlia Arieira, pesquisadora da Secretaria Científico-Técnica do Science Panel for the Amazon (SPA). Júlia atua há mais de 20 anos nas áreas de ecologia e conservação de ecossistemas e integra o painel científico que reúne mais de 300 pesquisadores dedicados ao estudo da Amazônia.

Na participação remota, Carlos Nobre alertou para os riscos associados à combinação de desmatamento, degradação florestal e mudanças climáticas e destacou a necessidade de soluções baseadas na natureza e de uma nova economia da floresta, capaz de gerar oportunidades de trabalho e renda para a população amazônica.

Soluções baseadas na natureza
55577863924 8bce2f8d1e cAo abordar os caminhos para enfrentar os riscos de mudanças irreversíveis na Amazônia, Júlia Arieira afirmou que a resposta à crise climática precisa combinar proteção da floresta, ciência, políticas públicas e geração de oportunidades para as populações amazônicas. Entre as medidas apontadas, estão a adoção urgente de soluções baseadas na natureza, com o compromisso de zerar o desmatamento, a degradação florestal e os incêndios, além da transição para uma economia de emissões líquidas zero.

A pesquisadora também defendeu a restauração florestal em larga escala associada à bioindustrialização de produtos regionais, como forma de fortalecer uma economia baseada na sociobiodiversidade e gerar trabalho e renda de maneira compatível com a conservação da floresta. Nesse processo, ressaltou a importância de reconhecer e incorporar o conhecimento dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, fundamentais para a proteção e a reabilitação dos ecossistemas amazônicos.

Diante desse cenário, Júlia defendeu a construção coletiva de soluções para a região, com a participação de cientistas, governos e instituições do sistema de Justiça. “Precisamos buscar caminhos de solução para a Amazônia e eu acho que é junto, dialogando com os diferentes atores da Amazônia, entre cientistas, de cientistas com o governo, com o executivo, com o judiciário, é que a gente pode conseguir buscar caminhos que perdurem ao longo do tempo”, afirmou. Segundo ela, “esse diálogo deve orientar decisões capazes de responder aos impactos das mudanças climáticas, reduzir as desigualdades e promover um modelo de desenvolvimento que mantenha a floresta em pé”.

749Representantes de diferentes ramos da Justiça participam da abertura
Magistrados de todos os estados do Norte e da Amazônia Legal compuseram a mesa solene da abertura do evento: a presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso; a desembargadora Luiza Cristina Marques, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM); o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), Carmo Antônio de Souza; o desembargador do TRT-7, Carlos Alberto Trindade Rebonatto; o presidente do Comitê de Sustentabilidade do TRT-10, Pedro Luís Vicentin Foltran; a desembargadora do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO), Ângela Maria Ribeiro Prudente; a juíza auxiliar da Presidência do CNJ e coordenadora da Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável do Poder Judiciário, Marina Lorena Nunes Lustosa; o juiz auxiliar do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), Otávio Bruno da Silva Ferreira; a juíza auxiliar da presidência do Superior Tribunal Militar (STM), Jaquelline Santos Silva; a juíza auxiliar do TJ-PA, Rafaela de Jesus Mendes Morais; a juíza auxiliar do TJ-AC, Zenice Mota Cardozo; a juíza do TRT-14, Soneane Raquel Dias Loura Simioli; e a juíza auxiliar da presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho.

 

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745747Durante o evento, houve uma apresentação cultural com os bois Garantido e Caprichoso748

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Confira a galeria de imagens.

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda
Fotos: Fernando Crispim

A chamada integra as ações de reestruturação da Revista do TRT-11 e recebe trabalhos até 5 de novembro

739A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (Ejud11) lançou o Edital nº 02/2026, de chamada de artigos científicos para composição da obra coletiva “Relações de Trabalho na Sociedade do Século XXI”. A iniciativa celebra a nova etapa da Revista do TRT-11: Direito, Trabalho e Amazônia, reestruturada como periódico científico jurídico, com acesso aberto e vocação nacional e internacional.

A chamada é destinada a integrantes da magistratura e do Ministério Público, docentes, pesquisadores, advogados, servidores públicos, estudantes de pós-graduação e demais membros da comunidade acadêmica interessados nas áreas abrangidas pela obra. Os artigos devem ser encaminhados para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. até o dia 5 de novembro de 2026.

Link para o edital

Transformações nas relações de trabalho
A obra coletiva pretende fomentar o diálogo científico, institucional e interdisciplinar sobre as transformações das relações de trabalho no século XXI. A proposta também busca reunir diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados pelo Direito do Trabalho, pelo Direito Processual do Trabalho e pela Justiça do Trabalho.

Um dos diferenciais da publicação será a atenção às peculiaridades das relações de trabalho e da atuação da Justiça do Trabalho na Amazônia. O edital destaca características como a diversidade social, cultural, econômica, ambiental e geográfica da Região, além de questões relacionadas ao acesso à justiça, às populações vulneráveis, às atividades econômicas do território, à proteção ambiental e às grandes distâncias territoriais.

Para a diretora da Ejud11, desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar o diálogo entre a academia e as instituições que integram o sistema de Justiça, valorizando também a produção científica voltada às especificidades da Amazônia. “Esta chamada amplia o diálogo entre a Justiça do Trabalho e a comunidade acadêmica sobre as transformações das relações de trabalho no século XXI. Queremos também valorizar a produção científica sobre as particularidades da Amazônia e seus desafios para a efetivação dos direitos trabalhistas”.

Temas
O edital prevê um conjunto amplo de eixos temáticos para os trabalhos. Entre eles estão as transformações contemporâneas do Direito do Trabalho; relações individuais de trabalho, vínculo de emprego e novas formas de contratação; Direito Coletivo, liberdade sindical e negociação coletiva; Direito Processual do Trabalho, acesso à justiça e efetividade da jurisdição; além de prova, precedentes, recursos e execução trabalhista.

Também poderão ser submetidos artigos sobre novas tecnologias, inteligência artificial e trabalho em plataformas digitais; direitos fundamentais, direitos humanos, igualdade, diversidade e não discriminação; saúde, segurança e meio ambiente do trabalho; proteção social e grupos em situação de vulnerabilidade; sustentabilidade, mudanças climáticas e transição justa; Direito Internacional e Comparado do Trabalho; e temas emergentes e perspectivas futuras do Direito e do Processo do Trabalho.

Submissão
Os trabalhos devem ser enviados em arquivo editável, no formato Microsoft Word, acompanhados de resumo de até cinco linhas. Os artigos deverão ter entre 12 e 20 laudas e seguir as normas de formatação e referências bibliográficas estabelecidas no edital. A avaliação levará em consideração, entre outros critérios, a pertinência temática, a relevância do problema investigado, a qualidade do levantamento bibliográfico, a consistência científica e a atualidade das informações e referências utilizadas.

Uma comissão analisará os trabalhos e poderá solicitar ajustes formais ou de conteúdo antes da aprovação definitiva. A submissão não assegura a publicação do artigo, e a decisão sobre a seleção será comunicada ao autor responsável por e-mail. A obra será publicada exclusivamente em formato digital e terá acesso gratuito. A publicação integra as iniciativas da Ejud11 destinadas a celebrar a reestruturação da Revista do TRT da 11ª Região: Direito, Trabalho e Amazônia.

As submissões devem ser encaminhadas para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com o assunto “CHAMADA DE ARTIGOS – RELAÇÕES DE TRABALHO NA SOCIEDADE DO SÉCULO XXI”. O período para envio começou em 5 de outubro e termina em 5 de novembro de 2026. Dúvidas sobre a chamada também podem ser encaminhadas ao mesmo endereço eletrônico.

O que é: Envio de artigos científicos para a obra coletiva “Relações de Trabalho na Sociedade do Século XXI”
Quando: até 5 de novembro
Onde: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Link: Edital completo

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Thallys Neutron, com informações da Ejud11
Artes: Thais Mannala

Evento acontece nos dias 8 e 9 de outubro e reúne mais de 30 tribunais e instituições do sistema de Justiça para discutir sustentabilidade, mudanças climáticas e realidade amazônica

737Manaus recebe, nos dias 8 e 9 de outubro, o V Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário – Rede Norte/CNJ, que reunirá representantes de mais de 30 tribunais e instituições do sistema de Justiça das cinco regiões do país. O evento é realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), em parceria com a Rede Norte de Sustentabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A programação conta com a participação de diferentes ramos do Poder Judiciário, incluindo Justiça do Trabalho, Justiça Estadual, Justiça Federal, Justiça Eleitoral e Justiça Militar, além de instituições de âmbito nacional. O encontro terá como tema “Sustentabilidade que conecta, Justiça que transforma”.

Durante os dois dias, magistrados, servidores, gestores e especialistas irão compartilhar experiências e discutir iniciativas relacionadas à sustentabilidade, responsabilidade socioambiental e enfrentamento das mudanças climáticas, considerando as especificidades e os desafios da região amazônica.

Diferentes ramos da Justiça

A abertura oficial do encontro será realizada no dia 8 de outubro, a partir das 8h30, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA), em Manaus. A mesa de abertura contará com representantes do TRT-11, TRF-1, TJ/AM, TREs, TRTs, Tribunais de Justiça estaduais, além do CNJ, CSJT e STM, reunindo diferentes ramos e instâncias do Poder Judiciário.

A diversidade institucional da mesa demonstra a abrangência do encontro, que reúne órgãos dos diferentes ramos da Justiça e representantes de instituições das cinco regiões brasileiras.

Conferência aborda riscos para a Amazônia

Um dos destaques da programação do primeiro dia será a conferência da bióloga Julia Arieira, às 10h, com o tema “Riscos de Tipping Point da Amazônia: A Urgente Necessidade de Soluções Baseadas na Natureza”. Pesquisadora com mais de 20 anos de experiência nas áreas de ecologia e conservação de ecossistemas, Julia Arieira atua com temas relacionados a mudanças climáticas, biodiversidade, áreas úmidas e sustentabilidade na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado. Desde 2019, integra a Secretaria Científico-Técnica do Science Panel for the Amazon (SPA), atuando na interface entre ciência e políticas públicas.

A conferência integra a programação destinada à formação institucional e ao debate sobre os desafios ambientais contemporâneos e a atuação do Poder Judiciário na agenda da sustentabilidade.

Amazônia no centro do debate

A realização do encontro em Manaus coloca a realidade amazônica no centro das discussões sobre sustentabilidade no Poder Judiciário. Para o presidente do TRT-11 e representante da Região Norte junto ao CSJT e ao CNJ, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, a realização do evento na capital amazonense representa uma oportunidade para o intercâmbio de experiências e a construção de estratégias considerando as características da região. “Receber este fórum em Manaus carrega grande relevância simbólica e prática. Diante da centralidade da Amazônia nas discussões ecológicas globais, cabe às instituições de Justiça liderar pelo exemplo, implementando rotinas ecoeficientes e fomentando a consciência ambiental. Trata-se de uma oportunidade ímpar para trocar vivências, difundir projetos bem-sucedidos e edificar estratégias alinhadas às particularidades do nosso território”, pontuou.

Programação com imersão amazônica

No dia 9 de outubro, a programação será realizada no Uiará Amazon Resort, com atividades voltadas à imersão na realidade amazônica e ao compartilhamento de boas práticas de sustentabilidade desenvolvidas pelas instituições participantes. A proposta é ampliar o intercâmbio de experiências e aproximar os participantes de iniciativas relacionadas à sustentabilidade na região, fortalecendo a construção colaborativa de soluções para desafios ambientais que ultrapassam fronteiras regionais.

V Encontro de Sustentabilidade do Poder Judiciário – Rede Norte/CNJ
Data: 8 e 9 de outubro de 2026
Dia 8 – Abertura e conferência
Horário: a partir das 8h30
Local: Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA)
Endereço: Avenida Silves, 2.222, Distrito Industrial, Manaus/AM

Dia 9 – Imersão na realidade amazônica
Local: Uiará Amazon Resort

 

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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda
Artes: Carlos Andrade

735O Pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) aprovou, nesta quarta-feira (7), a promoção da juíza do Trabalho Yone Silva Gurgel Cardoso para ocupar o cargo de desembargadora do Trabalho por critério de antiguidade, após o aval da Corregedoria Regional, que reconheceu o nome como apto à promoção. A magistrada foi indicada, por unanimidade, para completar o quadro de desembargadores do Tribunal, composto por 14 cargos, na vaga do desembargador Lairto José Veloso, falecido em agosto deste ano.

Com a aprovação pelo Tribunal Pleno, o procedimento de nomeação segue agora para Brasília. Após o cumprimento dos ritos legais, a promoção será concluída com a nomeação pela Presidência da República, conforme o artigo 115 da Constituição Federal.

Após a deliberação, os membros da Corte manifestaram votos de congratulações, salientando a dedicação ao trabalho e ao interior, a defesa de crianças, adolescentes e animais. Também foram citados o bom humor, a harmonia, a leveza e a alegria que marcam a trajetória de 35 anos de magistratura, dos quais 30 no interior do Amazonas.

O presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, destacou a trajetória da magistrada e desejou sucesso na nova etapa. "Sempre se sobressaiu pelo bom humor e pela harmonia. Sempre recebemos boas notícias sobre o trabalho, onde quer que ela tenha estado nos diversos municípios do Amazonas, por último em Manacapuru, cidade que a adotou por conta da afeição que ela tem pelo município. Desejo, com todo carinho e toda sinceridade, sucesso na nova carreira."

Já a desembargadora Joicilene Jeronimo Portela também se manifestou em homenagem à colega. Ela lembrou os 35 anos de magistratura, afirmou a dedicação da juíza ao trabalho ao interior do Amazonas e enalteceu a atuação na defesa de crianças e adolescentes: "Estamos completando 35 anos de magistratura, uma jornada que, para mim, é uma alegria, e tenho uma colega sempre dedicada ao trabalho e ao interior. Sua atuação no interior do Amazonas, que temos em comum, é voltada à defesa das crianças, dos adolescentes e também dos animais. Tenho certeza de que ela vem somar e ganha todos nós, o Tribunal, o jurisdicionado e a sociedade, e desejo que, desde hoje, a senhora continue feliz, com sua leveza e sua alegria.”

Amor pelo interior do Amazonas

No discurso de agradecimento, a juíza Yone Gurgel lembrou dos 30 anos no interior do Amazonas e das lições humanas que acumulou nesse período. Em tom de reconhecimento, agradeceu a colegas, servidores, estagiários e terceirizados e falou sobre a sensibilidade aprendida no convívio com as pessoas, especialmente com as fragilidades delas, além de defender uma atuação jurisdicional atenta às realidades e às vulnerabilidades presentes nos processos.

“O interior me ensinou muito e me presenteou com pessoas maravilhosas. Foi ali que aprendi a sensibilidade, que não é só nata, mas também se adquire no convívio com as pessoas, principalmente com as fragilidades delas. Agradeço pela atividade jurisdicional que tive, pois ela me proporcionou enxergar as maravilhas do Amazonas, e isso me construiu como eu sou. Espero continuar atuando na simplicidade, observando quem está do outro lado, porque nossos processos têm rostos, pés descalços, distâncias, fragilidades e vulnerabilidades, e precisamos estar sempre atentos a isso”, disse a magistrada.

Biografia

Natural de Manaus, a juíza é graduada em Direito pela Universidade do Amazonas (Ufam) e pós-graduada em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Candido Mendes. Em 1991, assumiu o cargo de Juíza do Trabalho Substituta no TRT-11 e, posteriormente, foi promovida por merecimento ao cargo de Juíza Titular da Vara do Trabalho de Coari, em 1995. Além disso, atuou como titular da Vara do Trabalho de Manacapuru (AM) e foi agraciada com o título de Cidadã Manacapuruense, por decreto da Câmara de Vereadores daquele município. Atualmente, é titular da 19ª Vara do Trabalho de Manaus e ocupa as funções de subgestora em Manaus e vice-coordenadora do Comitê de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT-11.

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Confira o álbum de fotos AQUI.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Fotos: Renard Silva

Juiz do TRT-11 aplicou Protocolo do CNJ para Atuação e Julgamento com Perspectiva Antidiscriminatória e fixou indenização por danos morais em R$ 30 mil

Resumo:

  • Trabalhador é indenizado em R$ 30 mil após sofrer assédio sexual de um hóspede durante o expediente em hotel de Manaus.
  • Decisão aplicou protocolo do CNJ e considerou a palavra da vítima na análise do caso, diante da dificuldade de produzir provas em situações de assédio.
  • Empresas foram responsabilizadas por não oferecerem suporte adequado ao trabalhador e também deverão pagar adicional de insalubridade.

734Uma decisão da 9ª Vara do Trabalho de Manaus condenou duas empresas, de forma solidária, ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais a um trabalhador que sofreu assédio sexual praticado por um hóspede durante o expediente em um hotel de Manaus. Ao julgar do caso, o juiz do Trabalho Diego Enrique Linares Troncoso aplicou o Protocolo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para Atuação e Julgamento com Perspectiva Antidiscriminatória, Interseccional e Inclusiva, que atribui um peso diferenciado à palavra da vítima na análise do caso.

Contratado como camareiro, o trabalhador relatou que, em agosto de 2025, foi abordado por um hóspede enquanto organizava seu carrinho de limpeza. Após acompanhá-lo até um quarto para indicar onde ficavam os sacos utilizados para a lavanderia, o hóspede teria feito uma abordagem de cunho sexual e tocado suas partes íntimas. O trabalhador afirmou que se sentiu desconfortável, conseguiu deixar o quarto, comunicou o ocorrido a um colega e, posteriormente, à sua superiora.

Após o episódio, o trabalhador foi afastado das atividades e, posteriormente, entrou em férias por 15 dias. Logo após o retorno das férias, com oito meses do início do contrato de trabalho, ele foi dispensado sem justa causa.

Protocolo orientou análise da palavra da vítima

Ao analisar o pedido de indenização, o magistrado destacou que a produção de provas em casos de assédio é especialmente difícil, já que as condutas geralmente ocorrem de forma clandestina e sem testemunhas. Nesse contexto, ressaltou a importância da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e dos protocolos do sistema de Justiça voltados à igualdade e à não discriminação.

Na decisão, o juiz registrou expressamente a aplicação do Protocolo para Atuação e Julgamento com Perspectiva Antidiscriminatória, Interseccional e Inclusiva que orienta, nos casos de assédio sexual, a “atribuir um peso diferenciado à palavra da vítima da violência moral ou sexual no ambiente de trabalho”.

O magistrado também considerou que, no caso analisado, havia uma situação de vulnerabilidade, uma vez que o agressor teria partido da presunção de que o trabalhador seria homoafetivo para abordá-lo sexualmente. Para o juiz, era necessário reconhecer e valorizar adequadamente a credibilidade do relato apresentado pela vítima.

Hotel não ofereceu suporte psicológico

O relato do trabalhador foi considerado coerente e sem elementos que colocassem sua credibilidade em dúvida. Em depoimento, ele informou que comunicou o ocorrido à chefia e que o hotel havia prometido auxílio psicológico, mas o atendimento não foi oferecido. Segundo a representante das empresas, o estabelecimento tomou conhecimento do fato, questionou o hóspede, que negou a ocorrência, e não ofereceu auxílio psicológico ao trabalhador.

Diante dessas provas, o juiz concluiu que o trabalhador foi vítima de assédio sexual por um hóspede e que as empresas não adotaram medidas adequadas de prevenção, proteção e tratamento da vítima.

Responsabilidade do estabelecimento

Na sentença, o magistrado destacou que os proprietários de hotéis e estabelecimentos similares respondem pelos danos causados por seus hóspedes, independentemente de culpa, conforme os artigos 932, IV, e 933 do Código Civil. Também ressaltou que o empregador tem o dever de garantir um ambiente de trabalho seguro e livre de riscos.

Para o juiz, como o assédio sexual ocorreu no ambiente de trabalho e atingiu a honra do trabalhador, ficou caracterizado o dever de indenização por danos morais. A ofensa foi classificada como de natureza grave, e a indenização foi fixada em R$ 30 mil, considerando as circunstâncias do caso e os critérios previstos na legislação trabalhista. O valor deverá ser pago solidariamente pelas empresas reclamadas.

Outros direitos reconhecidos

Além da indenização por danos morais, a sentença condenou uma das empresas ao pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo, de 40%, durante o período contratual, em razão da higienização de acomodações e banheiros com circulação superior a 25 pessoas por dia.

Ainda cabe recurso da decisão.

#ParaTodosVerem: Foto mostra um carrinho de limpeza com roupas de cama em um corredor de hotel.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda
Foto: Banco de Imagens

 

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