Evento consolida avanços práticos com a assinatura de termo de cooperação para melhorar atendimento aos trabalhadores de Guajará/AM e da Carta de Manaus para fortalecer cooperação na Região Norte
O representante do TRT-8, desembargador Paulo Isan (à esquerda), o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro (ao centro), e o presidente do TRT-14, desembargador Ilson Alves (à direita) assinam a Carta de ManausO 1.º Encontro dos Tribunais do Trabalho da Região Norte foi realizado nesta quarta-feira (6) e marcou um momento histórico para a Justiça do Trabalho, fortalecendo o intercâmbio institucional na Amazônia. A iniciativa, realizada no Fórum Trabalhista de Manaus, reuniu servidores e magistrados dos Tribunais Regionais do Trabalho da 11ª, 8ª e 14ª Regiões, que incluem os estados do Amazonas e Roraima, Pará e Amapá, além de Rondônia e Acre. Esses territórios amazônicos têm presença de povos indígenas, comunidades tradicionais e ribeirinhas e, no caso do Amazonas, o acesso se dá principalmente pelos rios, que funcionam como estradas naturais da região.
O evento inédito resultou em ações concretas, como a assinatura de um termo de cooperação entre os presidentes do TRT-14 e TRT-11, voltado aos trabalhadores do município de Guajará, no interior do Amazonas. Também foi firmada a Carta de Manaus pelos três regionais do Trabalho, documento que simboliza a união e o fortalecimento da atuação conjunta dos tribunais trabalhistas da Região Norte, com atenção especial a trabalhadores em situação de vulnerabilidade e que vivem em áreas de difícil acesso.
Para o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, o encontro marca a consolidação de uma atuação colaborativa entre os Tribunais Regionais do Trabalho da Região Norte. O magistrado ressalta que a Justiça do Trabalho na Amazônia enfrenta desafios singulares, como limitações de acesso, diversidade cultural e social, além de especificidades econômicas, que demandam uma abordagem diferenciada e sensível às realidades locais.
“É necessário transformar obstáculos em caminhos. Contudo, sabemos que os desafios que enfrentamos não podem ser superados isoladamente. Por isso, este primeiro encontro se revela tão oportuno, ele nos permite compartilhar experiências, alinhar estratégias e, sobretudo, construir soluções conjuntas para questões comuns a todos os Tribunais do Trabalho da Região Norte. Mais do que isso, fortalece em nós o sentimento de pertencimento a um projeto institucional maior, uma Justiça do Trabalho que atua de forma coordenada, eficiente e comprometida com a dignidade humana e com o valor social do trabalho.”
Encontro contou com a participação dos servidores e magistrados da Justiça do Trabalho dos TRTs da 11ª, 8ª e 14ª Regiões
Já o presidente do TRT da 14ª Região, desembargador Ilson Alves Pequeno Junior, ressaltou a relevância histórica do encontro e a necessidade de fortalecer a presença da Justiça do Trabalho na Amazônia. Enfatizou que os desafios da região exigem soluções capazes de garantir direitos e promover inclusão em comunidades de difícil acesso. “Julgar, nesta região, significa também chegar até o ribeirinho que habita às margens do Rio Negro. A Amazônia nos ensina resistência, saberes e tecnologias próprias. É nesse contexto que a Justiça do Trabalho deve dialogar com todos, aprendendo com a floresta e com os povos que nela vivem.”
O desembargador Paulo Isan Coimbra da Silva Júnior, representante do TRT da 8ª Região, também destacou a importância da cooperação entre os Tribunais da Região Norte. Coimbra apontou que os desafios amazônicos exigem soluções criativas e inclusivas, e que a Justiça do Trabalho deve estar presente em cada realidade, especialmente em comunidades de difícil acesso.
“O desafio é construir um judiciário humanista, próximo, efetivo e capaz de assegurar direitos em regiões de difícil acesso. Cooperar significa compartilhar boas práticas e fortalecer a atuação conjunta. É necessário que a Justiça não apenas receba o cidadão, mas que chegue até ele, especialmente em territórios vulneráveis, comunidades indígenas e áreas marcadas por trabalho precário ou escravo contemporâneo.”
Grupo Gaponga se apresenta durante evento no Fórum TrabalhistaO juiz auxiliar da presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), Otávio Bruno da Silva Ferreira, afirmou que os desafios da Amazônia exigem soluções próprias. O magistrado avaliou a necessidade de uma Justiça do Trabalho próxima das comunidades, sobretudo daquelas em situação de vulnerabilidade.
“A Amazônia é uma região singular, marcada pela biodiversidade e por desafios únicos. Aqui, os rios são estradas, e muitas comunidades enfrentam barreiras de acesso ao sistema de Justiça. Não há efetividade jurisdicional sem presença territorial. A Justiça Itinerante é um exemplo de como os tribunais da região reinventam práticas para atender a população. É necessário que a Justiça não apenas receba o cidadão, mas que chegue até ele. Que este encontro fortaleça a cooperação já existente entre os tribunais do Norte e reafirme o compromisso essencial: onde houver trabalhador ou trabalhadora na Amazônia, ali também esteja presente a Justiça do Trabalho.”
Cooperação
O presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro (à esquerda), e o presidente do TRT-14, desembargador Ilson Alves (à direita), assinam Termo de CooperaçãoPara levar a Justiça do Trabalho Itinerante ao município de Guajará/AM, que tem dificuldade de acesso por não ter ligação terrestre com Eirunepé/AM, o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro, e o presidente do TRT-14, desembargador Ilson Alves, assinaram um Termo de Cooperação. Como Guajará fica mais perto de Cruzeiro do Sul/AC, onde funciona uma Vara do Trabalho vinculada ao TRT-14, a apenas 19 km de distância por estrada, o atendimento pela unidade local será mais rápido, econômico e eficiente, sem mudar a competência original, que continua sendo do TRT-11.
Essa parceria tem como objetivo ampliar o acesso à Justiça, fortalecer a integração entre os tribunais e incentivar o intercâmbio de magistrados e servidores, além de promover boas práticas e aprendizado contínuo. As ações previstas incluem registro de reclamações trabalhistas, realização de audiências, instalação de Pontos de Inclusão Digital (PIDs), atividades educativas e integração com programas institucionais. As atividades serão feitas com planejamento conjunto, calendário anual e acompanhamento dos resultados.
Carta
A Carta de Manaus, documento que reúne propostas voltadas ao fortalecimento do atendimento aos trabalhadores da Região Norte e à promoção da cooperação inter-regional e da integração entre os Tribunais Regionais do Trabalho, foi assinada pelo presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro; pelo representante do TRT-8, desembargador Paulo Isan Coimbra; e pelo presidente do TRT-14, desembargador Ilson Alves Pequeno Júnior. O texto reafirma o papel da Justiça do Trabalho na promoção da justiça social e no acesso à Justiça, levando em conta as especificidades da Amazônia e alinhando-se à Política Nacional de Justiça Itinerante e Inclusão Digital, além da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Entre os compromissos assumidos estão o fortalecimento da presença institucional em áreas remotas, a ampliação da Justiça Itinerante, a instalação de Postos de Inclusão Digital e a adoção de soluções adaptadas às realidades locais. O documento também prevê cooperação entre os tribunais do Norte, intercâmbio de magistrados e servidores, parcerias com órgãos públicos e entidades da sociedade civil, além do incentivo à inovação tecnológica, à inclusão digital e à gestão orientada por dados com transparência.
A Carta de Manaus ainda planeja ações voltadas ao atendimento de populações vulneráveis, como indígenas, ribeirinhos, quilombolas e trabalhadores informais, reforçando a conciliação e métodos de resolução de conflitos. Inclui compromissos com a valorização de pessoas, capacitação contínua, políticas de equidade e bem-estar, além da sustentabilidade e preservação ambiental da Amazônia.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Fotos: Roumen Koynov
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), por meio da Ouvidoria Regional, participou de uma ação social do Programa PopRuaJud na última quarta-feira (29/4), na cidade de Pacaraima, no interior de Roraima. Durante as atividades, houve a oferta de serviços relacionados à Carteira de Trabalho e Previdência Social; orientações sobre salário, horas extras, férias e décimo terceiro salário, além de esclarecimentos de dúvidas relacionadas aos direitos trabalhistas da população.
Com o objetivo de promover o intercâmbio entre os Tribunais Regionais do Trabalho da Região Norte, que atendem trabalhadores da Amazônia, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) sediará, no Fórum Trabalhista de Manaus, em 6 de maio, a partir das 9h, o 1º Encontro dos Tribunais do Trabalho da Região Norte. O evento busca ampliar o acesso à Justiça e fortalecer o entendimento comum entre os tribunais, com atenção especial a trabalhadores em situação de vulnerabilidade e que vivem em áreas de difícil acesso.
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) promoveu, na tarde desta terça-feira (28/4), o “Café com Cejusc-JT em Boa Vista”, iniciativa voltada ao fortalecimento da cultura da conciliação e em preparação para a Semana Nacional da Conciliação Trabalhista 2026, que será realizada de 25 a 29 de maio. O evento, promovido pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Nupemec-JT) e Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc-JT) do TRT-11, reuniu magistrados, advogados, membros de instituições parceiras e servidores.
A programação contou com quatro painéis temáticos, abordando diferentes perspectivas sobre a conciliação no contexto trabalhista. No primeiro painel, a juíza do trabalho Selma Thury Vieira Sá Hauache apresentou a visão do Judiciário sobre o impacto da conciliação e a relevância da Semana Nacional da Conciliação Trabalhista. Ela destacou o impacto direto da conciliação na celeridade processual e na efetividade da Justiça do Trabalho, contrapondo o modelo tradicional, mais demorado e oneroso, ao novo paradigma baseado no diálogo e na construção conjunta de soluções. Ao apresentar dados expressivos de acordos e valores movimentados no âmbito do TRT-11, ressaltou também os benefícios socioeconômicos da conciliação, como a liberação de créditos e a arrecadação de tributos. A magistrada enfatizou ainda o papel dos Cejuscs-JT como espaços de escuta qualificada e humanização dos conflitos. “Um acordo muda o jogo porque transforma o conflito em oportunidade de diálogo e permite que as próprias partes construam soluções mais rápidas, eficazes e satisfatórias”, afirmou fazendo referência ao slogan da Semana de Conciliação de 2026: “Um acorda muda o jogo”, uma referência à Copa do Mundo de futebol que acontece em junho deste ano.


A 10ª Vara do Trabalho de Manaus condenou, de forma solidária, empresas e responsáveis por subcontratações ao pagamento de indenizações a um trabalhador que sofreu grave acidente durante a execução de serviços em prédio empresarial na capital amazonense. A sentença, proferida pela juíza titular Gisele Araújo Loureiro de Lima, já transitou em julgado. As partes celebraram acordo para pagamento integral do valor fixado na condenação.