Profissionais atuam em conjunto para pacificar as relações de trabalho

547Todos os dias, trabalhadores do Amazonas e de Roraima recorrem à Justiça do Trabalho em busca dos direitos reconhecidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Por trás de cada decisão que assegura esses direitos, há um sistema judiciário composto por magistrados e advogados, cada qual com sua função, voltados para a garantia do direito e da Justiça social. O dia 11 de agosto, data que marca a criação dos cursos jurídicos no Brasil e se consolidou como o Dia do Magistrado e do Advogado, é uma oportunidade para reconhecer o trabalho desses profissionais.

O magistrado, seja juiz, desembargador ou ministro, é o responsável por analisar o processo, conciliar as partes, julgar a causa e proferir a decisão final, aplicando o Direito para solucionar conflitos trabalhistas e pacificar relações sociais. Os magistrados também asseguram decisões justas, baseadas na legalidade, preservando a ordem social e os princípios democráticos. Sem eles, as demandas ficariam sem respostas e a proteção legal não passaria de promessa.

Na Justiça do Trabalho, os juízes não só julgam processos e dão sentenças. Também podem propor a conciliação entre o trabalhador e a empresa. Nesse caso, as duas partes conversam e tentam chegar a um acordo, sem precisar esperar uma decisão do juiz. Se entrarem em acordo, o processo termina mais rápido, os direitos são pagos e o conflito se resolve sem desgaste. Esse mecanismo não substitui o acesso à Justiça nem afasta a aplicação da Lei, apenas oferece um caminho alternativo, previsto no ordenamento jurídico, para a solução de conflitos.548

No Amazonas e Roraima, 78 magistrados atuam no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), sendo 14 desembargadores na segunda instância, dos quais 8 são mulheres, e 64 juízes e juízas na primeira instância, com o apoio de 1.045 servidores efetivos, para garantir a efetivação dos direitos trabalhistas. A demanda não para de crescer: só no primeiro semestre de 2026, o TRT-11 registrou 64.119 novos processos trabalhistas. Apesar das distâncias e das dificuldades de acesso típicas da Amazônia, esses juízes e desembargadores se dedicam a julgar e conciliar causas que envolvem desde grandes empresas até trabalhadores rurais, levando a Justiça a todos os cantos da região.

Para o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, a atuação conjunta do Judiciário é essencial para que a Justiça do Trabalho cumpra seu papel social. "Cada decisão proferida busca preservar a dignidade do trabalhador e a segurança jurídica do empregador, garantindo que o desenvolvimento econômico caminhe ao lado da justiça social." O desembargador ressalta ainda a importância da colaboração entre todos os atores do sistema: "A advocacia, o Ministério Público do Trabalho, sindicatos, empresas e a sociedade civil são parceiros indispensáveis na construção de soluções para conflitos trabalhistas. Justiça se constrói com escuta e cooperação."

549Já o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 11ª Região (Amatra XI), juiz do Trabalho Ney Rocha, vê no 11 de agosto um incentivo à magistratura trabalhista, que atua sob pressão constante de prazos e volume de processos, mas sem abrir mão da qualidade e da imparcialidade. "Na 11ª Região, a atuação do juiz exige não apenas domínio técnico, mas também sensibilidade para lidar com as especificidades do Amazonas e de Roraima, da indústria de Manaus às comunidades indígenas mais isoladas, e firmeza para decidir com autonomia, garantindo que o direito seja aplicado de forma igual para todos."

Ney Rocha destaca que, cada vez mais, o magistrado da Justiça do Trabalho atua pela conciliação, buscando mediar o diálogo entre as partes para que empresa e trabalhador saiam ganhando, o que fortalece o sistema como um todo. "A conciliação trabalhista não é apenas uma ferramenta de celeridade processual. Ela preserva vínculos, reduz litígios e permite que as partes encontrem soluções que muitas vezes um juiz isoladamente não conseguiria impor. O magistrado, nesse papel, deixa de ser apenas o 'diz o direito' para se tornar um facilitador do entendimento. Quando o trabalhador e a empresa chegam a um acordo com a mediação do Judiciário, o resultado tende a ser menos desgastante para ambos."

Advocacia

Enquanto os magistrados julgam e mediam os conflitos, os advogados provocam. É o profissional que prepara a reclamação do trabalhador e a leva ao Judiciário, acionando o Estado e garantindo que a outra parte também seja ouvida. Como diz o artigo 133 da Constituição, o advogado é "indispensável à administração da justiça", não um mero auxiliar, mas o defensor que equilibra as partes e garante que o processo seja justo, transformando o direito em realidade com ética, técnica e compromisso. O advogado dá voz ao trabalhador diante do Judiciário.

Conforme o jurista, político e escritor brasileiro Ruy Barbosa, o profissional é necessário principalmente em momentos de maior dificuldade. "O advogado pouco vale nos tempos calmos; o seu grande papel é quando precisa arrostar o poder dos déspotas, apresentando perante os tribunais o caráter supremo dos povos livres."550

A advogada Mary Faraco, vice-presidente da Associação Amazonense da Advocacia Trabalhista (Aamat), afirma que os profissionais precisam atualmente se adequar às relações de trabalho no Brasil, que passaram por profundas transformações nos últimos anos, impulsionadas pela modernização das regras e pelo avanço tecnológico acelerado. "A advocacia trabalhista assumiu um papel central nessa transição, atuando não apenas para resolver conflitos na Justiça do Trabalho, mas principalmente para orientar a sociedade na construção de relações de trabalho mais equilibradas e seguras."

Faraco explica que a maior procura dos empregadores é por consultoria preventiva que ajude a reduzir riscos trabalhistas, por isso ela recomenda que as empresas invistam em programas de compliance trabalhista e mantenham canais internos de comunicação, pois a transparência e o respeito mútuo são as melhores ferramentas para evitar disputas judiciais. Ela aponta que os erros patronais mais recorrentes estão associados à desorganização documental, como a falta de controle fidedigno de ponto, o não pagamento correto de horas extras e das verbas rescisórias, além da inobservância das normas de saúde e segurança.

“Para os empregadores, a melhor estratégia é investir em programas de conformidade jurídica e compliance, obedecendo as normas trabalhistas e de seguridade social, além de estruturar canais internos de comunicação e denúncia que sejam seguros e eficientes. A adoção de boas práticas cotidianas e o respeito mútuo são as ferramentas mais eficazes para prevenir disputas jurídicas e assegurar a estabilidade social e econômica das relações de trabalho.”

Origem

O dia 11 de agosto foi escolhido para homenagear advogados e magistrados porque, em 1827, Dom Pedro I sancionou uma Lei criando os dois primeiros cursos de Direito do Brasil, em São Paulo e em Olinda (PE). Antes disso, os brasileiros precisavam estudar na Universidade de Coimbra, em Portugal. A Lei original, disponível no site do Planalto, começa com o artigo que criou os cursos. Em 1927, no centenário das faculdades, a data foi oficializada como o Dia do Magistrado e do Advogado.

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Foto: Banco de Imagem

“Café com ministro” reuniu representantes de sindicatos, empresas do PIM, OAB e times de futebol para fortalecer a cultura do diálogo nas relações de trabalho

533Com o objetivo de fortalecer a cultura da conciliação na Justiça do Trabalho, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro do Trabalho Guilherme Augusto Caputo Bastos, participou, nesta sexta-feira (7), do evento "Café com o Ministro", promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), no Fórum Trabalhista de Manaus (FTM). O encontro reuniu magistrados, advogados, sindicalistas e empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM) para discutir a ampliação dos métodos consensuais de solução de conflitos trabalhistas.

Participaram da ação diretores e advogados da Moto Honda da Amazônia e da Samsung Eletrônica da Amazônia, que empregam diretamente mais de 10 mil trabalhadores cada; diretores da Caixa Econômica Federal, também dirigentes dos Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (Cut-AM), do Sindicato Patronal (Sinduscom-AM), do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas (SHRBS-AM), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (STIU-AM), entre outros, além de advogados trabalhistas e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (Oab-AM). Também estiveram presentes representantes dos times amazonenses Nacional Futebol Clube (FC) e Amazonas Futebol Clube (FC).

O presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, salientou a relevância da iniciativa para o fortalecimento das relações institucionais e da cultura do diálogo na Justiça do Trabalho. O magistrado ressaltou que o evento se propõe a ir além do cerimonial tradicional, promovendo uma conversa natural e horizontal com os diversos setores da sociedade, o que reforça o compromisso do tribunal com a transparência e a aproximação com a comunidade jurídica e produtiva da região.

Já a representante da região Norte na Comissão Nacional de Promoção à Conciliação (Conaproc) do TST, coordenadora de Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) e Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas da Justiça do Trabalho (Cejusc-JT) de 2º Grau do TRT-11, a desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, enfatizou a essência humanizada do Cejusc-JT, sendo um espaço de acolhimento, escuta ativa e empatia, em que os mediadores se despem da rigidez do formalismo para se aproximarem verdadeiramente das partes. "Chorar com elas, sentir a dor delas e juntos construirmos realmente uma pacificação social, porque a nossa justiça é social."

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 A desembargadora também falou sobre o pioneirismo do tribunal na realização dos Cejuscs Itinerantes no interior do Amazonas, levando cidadania à população por meio de serviços como emissão de documentos, atendimento médico e orientação previdenciária. “Nos Cejuscs Itinerantes, reunimos mais de 500 pessoas, entre pais, mães, crianças e outros. Divulgamos o que é ser justo e levamos cidadania. Levamos aquilo que geralmente é oferecido no dia a dia, mas a que eles não têm acesso. Oferecemos médicos, psicólogos, exames de todo tipo, ajudamos a emitir as carteiras digitais, a regularizar a situação junto ao INSS e à carteira de trabalho, tudo aquilo que eles não conseguem no dia a dia porque estão trabalhando e cuidando dos filhos."

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, avaliou o evento como uma chance de aproximar os trabalhadores da Justiça do Trabalho. Para ele, iniciativas como o "Café com o Ministro" ajudam a mostrar que o Judiciário está aberto ao diálogo e disposto a ouvir as demandas de quem trabalha no chão de fábrica. "Nós somos totalmente a favor da negociação coletiva, conversar com as empresas antes de qualquer coisa sobre a justiça."

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Importância da conciliação

O ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos apontou dados que mostram a relevância econômica da conciliação trabalhista. Segundo Caputo, até julho de 2026, mais de R$ 1,2 bilhão já havia sido injetado na sociedade por meio de acordos trabalhistas, e que, apenas durante a Semana Nacional da Conciliação do ano passado, foram negociados cerca de R$ 2 bilhões em todo o território nacional, um desempenho alcançado com o esforço conjunto de todos os tribunais regionais do trabalho. “Isso é um dinheiro que circula na sociedade, as contas que vão ser pagas, a escola, o restaurante que está funcionando, o supermercado, enfim, está funcionando.”

Para o ministro do TST, a conciliação não é um detalhe, mas o centro da Justiça do Trabalho, e lamentou que essa forma de resolver conflitos tenha sido deixada de lado ao longo do tempo, abrindo espaço para o crescimento da litigiosidade. Caputo Bastos defendeu que o juiz não deve se limitar a aplicar a lei de forma fria e distante, mas atuar como facilitador do diálogo, ajudando as partes a construir juntas uma solução.

Ao defender a necessidade de uma mudança estrutural no comportamento dos atores da Justiça do Trabalho, Caputo enfatizou que a conciliação não pode ser um ato isolado ou excepcional, mas sim uma prática culturalmente enraizada em todos os níveis da relação trabalhista. Além disso, estabeleceu uma relação direta entre a cultura da negociação coletiva e a conciliação, argumentando que ambas devem caminhar juntas para que o diálogo prevaleça sobre a contenda judicial e que os conflitos sejam tratados antes mesmo de se transformarem em processos. "Então, negociem e criem a cultura da conciliação. Para isso, é preciso que todos, juízes, advogados, trabalhadores e empresas, deixem de lado o excesso de formalidades e adotem uma postura de cooperação, ouvindo uns aos outros com atenção e empatia. Nós temos que ouvir a sociedade, ouvir empresas, trabalhadores, entidades sindicais de toda natureza, o Ministério Público do Trabalho, os advogados. Temos que dialogar com todos pois a essência da Justiça do Trabalho é a conciliação" finalizou.

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Confira a galeria de imagens.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Jonathan Ferreira
Fotos: Michael Dantas

Engenheiro do TRT-11 apresentou projeto adaptado à metodologia BIM durante visita do ministro Caputo Bastos

529Durante visita a Manaus nesta sexta-feira (7/8), o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Guilherme Augusto Caputo Bastos conheceu o projeto do novo Fórum Trabalhista de Manaus (FTM), do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR). O presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, também acompanhou a apresentação feita pelo engenheiro José Ricardo dos Santos, que destacou a adaptação integral do projeto à metodologia Building Information Modeling (BIM).

De forma breve, o engenheiro apresentou as principais soluções previstas para o empreendimento, ressaltando que a utilização do BIM permite maior precisão no planejamento, compatibilização dos projetos e controle da execução. A metodologia também possibilita o planejamento em 4D e 5D e a criação de um “Gêmeo Digital”, que poderá ser utilizado futuramente na manutenção do prédio.

“A retomada e conclusão do novo Fórum Trabalhista de Manaus é um projeto essencial para o TRT-11”, explicou o engenheiro, destacando que a nova sede representa uma decisão estratégica diante do custo anual de cerca de R$ 8,5 milhões com o aluguel do atual Fórum, além das limitações de acessibilidade e dos custos de manutenção da estrutura antiga. O novo prédio tem prazo de execução de 30 meses e incorpora soluções de sustentabilidade, como o Selo Procel Nível A de eficiência energética, usina fotovoltaica, fachadas ventiladas, redução do consumo de água e acessibilidade em todos os ambientes. “O novo Fórum Trabalhista de Manaus se posiciona como um marco de sustentabilidade e inclusão na região. Com o apoio institucional do CSJT, nossa engenharia está empenhada em entregar uma obra exemplar, rigorosamente dentro do prazo e do orçamento estipulados”, afirmou o engenheiro.

O novo Fórum Trabalhista terá 25 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em 15 andares e três subsolos de estacionamento. O projeto contempla 26 Varas do Trabalho, áreas de apoio, agências bancárias, salas da Escola Judicial e auditório com capacidade para 141 pessoas. A nova sede reunirá as Varas do Trabalho e o Tribunal na mesma região, facilitando o acesso de trabalhadores, advogados e demais usuários dos serviços da Justiça do Trabalho.

Gestão e fiscalização

A execução do empreendimento será realizada por uma empresa contratada especificamente para a construção, enquanto outra empresa será responsável pela fiscalização técnica especializada. Além disso, o próprio TRT-11 exercerá o acompanhamento e a fiscalização dos dois contratos, reforçando o controle institucional sobre o andamento da obra, o cumprimento do projeto, dos prazos e das condições previstas.

A retomada da construção do novo FTM integra o Plano de Gestão da Presidência do TRT-11 para o biênio 2024/2026 e está alinhada às ações de revitalização da infraestrutura predial, qualidade de vida e sustentabilidade. Ao comentar a apresentação e a estrutura de gestão da obra, o presidente do TRT-11 destacou que seu compromisso à frente do Tribunal vai além do acompanhamento contratual. “Há uma empresa para executar a obra e outra para fiscalizar, mas o compromisso maior do presidente do tribunal é garantir a estabilidade e a união de todos”, afirmou o desembargador Jorge Alvaro.

Ministro destaca planejamento e dignidade

Após conhecer os projetos, o ministro Caputo Bastos elogiou a proposta apresentada e destacou a preocupação do TRT-11 com sustentabilidade, funcionalidade e aproveitamento dos espaços. “É uma obra sustentável, uma obra que não tem absolutamente nenhum luxo e não tem perda de espaço mal aproveitado”, afirmou o ministro, ressaltando que a estrutura deverá atender às necessidades atuais da Justiça do Trabalho.

Caputo Bastos também enfatizou a importância de oferecer condições adequadas para o funcionamento da Justiça do Trabalho. “A Justiça do Trabalho acompanha o crescimento das sociedades, que obviamente terão seus problemas resolvidos pela Justiça do Trabalho em prédios dignos. Não estamos pedindo nada mais do que dar dignidade ao exercício do trabalho dos servidores, dos juízes e das pessoas que estão conosco aqui o dia inteiro”, declarou.

O ministro cumprimentou a equipe de engenharia responsável pelo projeto e destacou o empenho envolvido na retomada do empreendimento. “Eu fico muito empolgado e orgulhoso quando vejo iniciativas dessa natureza. Parabéns a toda equipe de engenheiros e servidores que dispensaram tanta energia e trabalho neste projeto”, concluiu o ministro.

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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda, com informações do Nuea.
Fotos: Carlos Andrade / Rafael Moreira

Evento reúne representantes do Judiciário, do Executivo e do MPT para debater políticas de acesso ao trabalho, geração de renda e reinserção social

553Com o objetivo de fortalecer o debate sobre políticas do Judiciário que incentivem a inclusão de pessoas privadas de liberdade e de quem deixou o sistema prisional no mercado de trabalho, com foco na geração de renda e na remição de pena, a Escola Judicial (Ejud) do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) promoverá em Boa Vista, de 25 a 26 de agosto, o X Seminário Roraimense do TRT-11. O tema desta edição é “Pena Justa em movimento: Trabalho Decente e Emancipação Sociolaboral”.

Composto por palestras e painéis temáticos, o primeiro dia ocorrerá no auditório do Tribunal de Justiça de Roraima, localizado no Fórum Cível advogado Sobral Pinto, na Praça do Centro Cívico, 296, centro de Boa Vista. Já no segundo dia, os participantes farão uma visita técnica à Penitenciária Agrícola de Roraima.

O seminário está alinhado ao Plano Pena Justa, criado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu problemas estruturais no sistema prisional brasileiro e determinou a elaboração de planos nacional, estaduais e distrital para enfrentar essas deficiências. Voltado para magistrados, servidores, operadores do Direito, estudantes e demais interessados na temática, o evento contará com a presença da diretora da Ejud11, desembargadora Ruth Barbosa Sampaio.

Programação

A programação reforça as diretrizes do Plano Pena Justa, com foco na atuação conjunta entre instituições, na ampliação do acesso ao trabalho digno e na reinserção social de pessoas privadas de liberdade e de quem deixou o sistema prisional. O evento reunirá representantes do Judiciário, do Executivo, do Ministério Público do Trabalho e especialistas da área.

No primeiro dia (25/8), pela manhã, das 9h00 às 12h00 e na parte da tarde, das 14h00 às 18h00, ocorrerão três painéis com os respectivos temas: “Panorama do Sistema Carcerário em Roraima”; “Trabalho Decente como Instrumento de Reinserção Social: desafios e oportunidades”; “A Literatura como Resgate da Identidade e Instrumento Social”.

1º Painel – Panorama do Sistema Carcerário em Roraima

O primeiro debate abordará a realidade do sistema prisional em Roraima, com a participação do desembargador Almiro José Mello Padilha, vice-presidente do Tribunal de Justiça de Roraima e supervisor do GMF/RR; do secretário de Estado da Justiça e Cidadania de Roraima, Dagoberto da Silva Gonçalves; e da assistente social Débora Gomes de Figueiredo Nóbrega, subdiretora de Apoio Multidisciplinar da DAGMF. A mediação será da desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, diretora da Escola Judicial do TRT-11.

2º Painel – Trabalho Decente como Instrumento de Reinserção Social: desafios e oportunidades

O segundo painel discutirá o papel do trabalho na reinserção social de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. Entre os destaques está a participação da juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Solange de Borba Reimberg, que apresentará o Emprega_Lab, iniciativa voltada à promoção da empregabilidade e da reinserção sociolaboral. Também participarão o juiz do Trabalho Mauro Ponce de Leão Braga e o procurador do Ministério Público do Trabalho da 9ª Região, Heiler Ivens de Souza Natali. A mediação será do juiz Igo Zany, vice-diretor da Escola Judicial do TRT-11.

3º Painel – A Literatura como Resgate da Identidade e Instrumento Social

Encerrando a programação, o escritor, editor, dramaturgo e produtor cultural Alexandre Giostri apresentará experiências sobre o uso da literatura, das rodas de leitura e das oficinas literárias como ferramentas de ressocialização e fortalecimento da cidadania no sistema prisional.

Prêmio Mulheres Formadoras e Informadoras da Justiça do Trabalho

Após, será realizada a cerimônia de entrega da 8ª edição do Prêmio Mulheres Formadoras e Informadoras da Justiça do Trabalho da 11ª Região – 2026. A iniciativa visa reconhecer e valorizar mulheres que se destacam na produção, disseminação e fortalecimento do conhecimento jurídico-trabalhista, contribuindo para a formação crítica e para o aprimoramento da Justiça do Trabalho.

Visita Técnica

Na quarta-feira (26/8), a programação será encerrada com visita técnica guiada à Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (RR), com foco na análise das condições do sistema prisional e no fortalecimento de políticas institucionais integradas.

Inscrições

As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas no sistema da Escola Judicial, por meio do SisEJud https://ejud.trt11.jus.br/ejud/.


Evento: X Seminário Roraimense do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região

Datas: 25 a 26 de agosto de 2026

Locais: 25 – Auditório do Tribunal de Justiça de Roraima, localizado no Fórum Cível advogado Sobral Pinto, na Praça do Centro Cívico, 296, centro de Boa Vista
             26 – Penitenciária Agrícola de Roraima (RR).

Inscrições: gratuitas via https://ejud.trt11.jus.br/ejud/

 

#ParaTodosVerem: À direita, uma pessoa caminha por uma estrada, com a silhueta preenchida por imagens que remetem ao trabalho e à reintegração social. Ao fundo, há elementos em verde que remetem à natureza e as logomarcas das instituições organizadoras.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Mônica Armond de Melo
Arte: Carlos Andrade

Iniciativa reúne Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e Ministério Público do Trabalho e convida toda a sociedade a integrar aliança em defesa do voto livre e da democracia

Banners Combate ao Assedio Eleitoral Intranet600 x 400 px“No meu voto mando eu”. O slogan busca mobilizar a sociedade em torno da prevenção do assédio eleitoral no ambiente de trabalho e da defesa do voto livre e democrático. A mobilização foi formalizada nesta quinta-feira (6) com a assinatura, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de um acordo de cooperação técnica com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

O documento prevê a produção colaborativa, o compartilhamento e a divulgação de materiais educativos e informativos sobre a prevenção e o combate ao assédio eleitoral nas relações de trabalho. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o tema e prevenir práticas que atentem contra a liberdade de escolha de trabalhadoras e trabalhadores.

A campanha é um convite para que pessoas físicas, empresas, instituições públicas e privadas, organizações não governamentais (ONGs), entidades associativas e demais organizações se unam a essa causa em favor de um único candidato: o voto livre e democrático. A proposta é construir a Aliança pelo Voto Livre, uma ampla rede em defesa da democracia e do direito de cada cidadão e cidadã votar de acordo com sua própria convicção, sem pressões ou constrangimentos.

Acordo reforça atuação conjunta

assinaturaactassedioO presidente do TST e do CSJT, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que o assédio eleitoral não se limita aos direitos individuais discutidos em uma ação trabalhista. “A questão não se encerra no processo trabalhista. Ela tem uma dimensão muito maior, coletiva, dentro da empresa, e também pode ser caracterizada como crime eleitoral por abuso de poder econômico”, afirmou.

Segundo o ministro, a cooperação permitirá que as instituições atuem de forma articulada diante das denúncias. “A liberdade de votar é, muitas vezes, o último instrumento disponível para defender uma condição de vida melhor. Combater o assédio eleitoral significa defender o trabalho digno e, na sua essência, a própria democracia.”

Para o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a escolha feita nas urnas só é efetiva quando resulta da livre manifestação da vontade do eleitorado. “Nenhuma influência decorrente de relações econômicas, profissionais, hierárquicas ou funcionais pode substituir a consciência individual de quem comparece às urnas para exercer um direito que pertence exclusivamente a ele”, afirmou.

Kassio Nunes Marques assinalou que a resposta institucional não deve se limitar à repressão das condutas ilícitas. “Ela deve antecipar o mal feito, privilegiando, sobretudo, a prevenção, a informação e a conscientização”, afirmou. Segundo o ministro, preservar a diversidade de pensamento e as escolhas individuais é condição para a legitimidade do processo eleitoral.

O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, ressaltou que o assédio eleitoral atenta contra a liberdade de escolha, fere os pilares da democracia e exige resposta conjunta. “A partir de uma atuação colaborativa e coordenada entre a Justiça Eleitoral, a Justiça do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho, será possível coibir eventuais abusos que tenham como objetivo cercear a liberdade de voto e a livre manifestação política”, afirmou.

O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, destacou a experiência do MPT no enfrentamento ao assédio eleitoral e a necessidade de rapidez na apuração das denúncias. “A atuação tem que ser séria, dinâmica. Quando chega uma denúncia, temos que atuar antes de o processo eleitoral se finalizar”, disse. Ele explicou que o MPT pode celebrar termos de ajustamento de conduta, ajuizar ações civis públicas e buscar a reparação dos danos, sem prejuízo do encaminhamento de possíveis ilícitos ao Ministério Público Eleitoral.

Como e por que aderir à Aliança pelo Voto Livre e Secreto?

Para aderir à iniciativa, basta baixar o material da campanha. Quem quiser pode registrar a adesão no site www.tst.jus.br/nomeuvotomandoeu. Além do material de orientação, há também imagens que registram o compromisso da pessoa ou da instituição com o movimento. Quem participar também pode registrar fotos e marcar o TST nas redes sociais (@tstjus). Essa é uma forma de demonstrar o compromisso pessoal ou institucional com o fortalecimento da democracia.

O que é assédio eleitoral?

O assédio eleitoral ocorre quando empregadores, gestores ou outras pessoas em posição de autoridade tentam influenciar, constranger, ameaçar ou pressionar trabalhadores para que apoiem determinado candidato, partido político ou posição ideológica.

Essa prática pode se manifestar de diferentes formas:

•  ameaças de demissão ou prejuízos profissionais em razão da escolha eleitoral do trabalhador;
•  promessas de benefícios ou vantagens em troca de apoio político;
•  exigência de participação em atos de campanha;
•  fiscalização ou cobrança sobre o voto de empregados;
•  constrangimentos, humilhações ou intimidações relacionados às preferências políticas de trabalhadores.

Além de ferir direitos fundamentais, o assédio eleitoral compromete a liberdade de voto e o ambiente de trabalho.

Campanha é aberta à adesão de toda a sociedade

Como parte da mobilização, as instituições disponibilizam peças de comunicação para download gratuito. O material pode ser utilizado por qualquer pessoa ou organização interessada em apoiar a iniciativa.

Empresas, órgãos públicos, entidades de classe, organizações da sociedade civil e demais participantes poderão inserir suas próprias marcas nas peças e divulgá-las em seus canais de comunicação, ampliando o alcance da campanha e fortalecendo a mensagem de respeito à liberdade de escolha.

Atuação da Justiça do Trabalho

A Justiça do Trabalho tem atuado de forma crescente no enfrentamento ao assédio eleitoral. Dados do Painel de Assédio Eleitoral mostram que, entre 2023 e 2026, 738 processos foram identificados como relacionados ao tema.

Para dar maior visibilidade e uniformidade ao tratamento desses casos, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) editou a Resolução CSJT 355/2023, que prevê o registro e o acompanhamento dos processos envolvendo assédio eleitoral no Processo Judicial Eletrônico (PJe).

A norma criou um identificador específico para esses processos, a fim de permitir o monitoramento estatístico dos casos em toda a Justiça do Trabalho e contribuir para o desenvolvimento de ações de prevenção, fiscalização e combate à prática.

Em julho de 2026, a resolução foi atualizada para fortalecer a identificação e o acompanhamento dessas ações. Entre as principais mudanças, juízes e juízas devem comunicar ao MPT e ao Ministério Público Eleitoral (MPE), logo após o recebimento da petição inicial, a existência de fatos que possam caracterizar assédio eleitoral.

A atualização também ampliou a definição de assédio eleitoral, aperfeiçoou os mecanismos de identificação de processos no Processo Judicial Eletrônico (PJe), instituiu o envio automatizado de informações ao CSJT e às Corregedorias Regionais, criou o acompanhamento administrativo mensal das ações e previu a realização permanente de ações de orientação para garantir o correto cadastramento dos processos.

Nos casos em que houver denúncia de assédio eleitoral, a Justiça do Trabalho pode analisar a ocorrência de violações aos direitos dos trabalhadores, determinar a cessação das condutas ilícitas e impor medidas para reparar os danos causados, conforme as particularidades de cada caso.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto e imagens: TST

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