Magistrados do TRT-11 debatem o papel constitucional da Justiça do Trabalho diante dos desafios contemporâneos e da proteção aos trabalhadores vulneráveis.

193A XXIV Jornada Institucional dos Magistrados e Magistradas do Trabalho (Jomatra) do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) foi aberta com reflexões sobre a história, a competência e a relevância constitucional da Justiça do Trabalho no cenário contemporâneo. Promovido pela Escola Judicial da 11ª Região (Ejud11), o evento ocorre de 6 a 10 de abril e tem como tema principal: “Justiça do Trabalho e Constituição: A Competência como Garantia Institucional de Acesso à Justiça para Populações Vulneráveis”.

Na abertura do evento, o presidente do TRT-11, desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, destacou a Jornada como um espaço de encontro, reflexão e fortalecimento institucional. Em seu discurso, enfatizou o papel que os magistrados desempenham na vida das pessoas: “cada decisão que proferimos tem impacto real na vida das pessoas – no trabalhador que depende daquele resultado, na empresa que busca segurança jurídica, nas famílias envolvidas. Isso exige de nós equilíbrio, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade”, afirmou.

O presidente também chamou atenção para os desafios contemporâneos, como as mudanças no mundo do trabalho e o avanço das tecnologias, inclusive da inteligência artificial. “A tecnologia já faz parte da nossa rotina e veio para ficar. Mas o grande desafio é usar essas ferramentas sem perder aquilo que nos define: a capacidade de ouvir, compreender e decidir com justiça”, disse. Ressaltou, ainda, a necessidade de cuidado com a saúde física e emocional dos magistrados e magistradas diante da intensidade e da responsabilidade inerentes à função.

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Proteção à dignidade humana

A abertura da Jomatra foi marcada também pelo discurso da diretora da Ejud11, desembargadora Ruth Barbosa Sampaio. Em sua fala, a magistrada destacou que o evento é uma oportunidade de união entre aqueles que julgam, de reflexão compartilhada sobre os desafios contemporâneos e de reafirmação do compromisso coletivo com uma jurisdição mais humana, efetiva e transformadora.

Ao refletir sobre a competência da Justiça do Trabalho, afirmou de forma categórica: “A competência não é um privilégio. A competência é garantia. Garantia de acesso à justiça. Garantia de dignidade. Garantia de que o trabalhador, especialmente o vulnerável, não ficará à margem do sistema de proteção jurídica. Quando falamos de populações vulneráveis, falamos de vidas reais, dos invisibilizados, dos precarizados, dos que enfrentam barreiras geográficas, sociais e econômicas para serem ouvidos. E é a Justiça do Trabalho, com sua vocação histórica e constitucional, que se coloca como ponte entre a desigualdade e a dignidade”, ressaltou a magistrada.

Em referência às tensões enfrentadas pela magistratura trabalhista, reconheceu as inquietações diante de decisões que restringem a competência do ramo especializado, mas enfatizou que a essência da instituição permanece preservada enquanto houver magistrados comprometidos com sua missão. “A Justiça do Trabalho não é apenas uma estrutura. Ela é uma consciência social”, afirmou, defendendo união, coragem decisória e renovação de convicções como caminhos para assegurar a credibilidade e a perenidade da Justiça do Trabalho.

Aula magna

196A Aula Magna foi proferida pelo ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho, Carlos Alberto Reis de Paula, que abordou o tema “História da Competência da Justiça do Trabalho”. Em sua exposição, o ministro destacou que discutir competência é tratar do próprio poder de atuação da Justiça. “Falar sobre competência da Justiça do Trabalho é essencial para todo o ramo da Justiça. Afinal, competência é ter poder para atuar em determinada área”, afirmou.

Ele resgatou a trajetória histórica da instituição, e enfatizou que o trabalho ocupa posição estruturante na sociedade brasileira. Segundo ele, no contexto atual de intensos avanços tecnológicos e transformações nas relações produtivas, é preciso reafirmar a centralidade da pessoa humana. “Sem trabalho, sem a presença do homem, o mundo não existe, o Brasil não se realiza”, pontuou, ao defender a perenidade e a indispensabilidade da Justiça do Trabalho, mesmo diante de decisões que, por vezes, restringem sua competência.

Para o ministro, a existência da Justiça do Trabalho está diretamente vinculada à garantia de direitos fundamentais, especialmente para aqueles que muitas vezes sequer têm plena consciência de seus próprios direitos. Ele ressaltou que o trabalho possui dimensão extraordinária para a sociedade e que cabe à Justiça do Trabalho assegurar que o trabalhador seja reconhecido “como pessoa, como gente”, com seus direitos efetivamente respeitados.

Seguindo a programação do primeiro dia da Jomatra, a professora Dorinethe dos Santos Bentes, administrou o minicurso de tema “História da Justiça do Trabalho no Amazonas e a Postulação de Direitos Trabalhistas”. Ela é Doutora em Direito e Justiça pela UFMG e Mestra em História pela Ufam.

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Confira a programação completa da XXIV Jomatra.

Acesse a galeria de imagens.

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda
Fotos: Roumen Koynov

Programa Trabalho Seguro, da Justiça do Trabalho, alerta para a necessidade de cuidar da pessoa por inteiro

200“Trabalho mais saudável e seguro para todos” é o slogan de 2026 da campanha Abril Verde da Justiça do Trabalho. A iniciativa destaca duas datas importantes: o Dia Mundial da Saúde, nesta terça-feira (7), e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho (em 28/4).

Sete maracanãs lotados

546 mil pessoas lotam sete estádios do porte do Maracanã. Esse número revela uma realidade alarmante: segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS), em 2025, problemas de saúde mental levaram essa quantidade de pessoas a se afastar do trabalho.

O cenário estabelece um novo recorde, com um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, em que a ansiedade gerou 166 mil afastamentos e a depressão afastou do trabalho 126 mil pessoas.

Com relação à saúde física, dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram mais de 1,6 mil mortes por acidentes de trabalho somente no primeiro semestre de 2025. De 2012 a 2024, foram registrados 8,8 milhões de acidentes e 32 mil mortes de pessoas com carteira assinada. A informação é do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab de Trabalho Decente, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil.

Mais do que estatísticas, os dados comprovam que as pessoas estão cada vez mais adoecidas mentalmente e que as empresas precisam investir, de forma constante, na prevenção e na promoção de condições adequadas de trabalho.

Saúde mental e física são indissociáveis

Segundo o juiz Cláudio Freitas, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), coordenador nacional do Programa Trabalho Seguro da Justiça do Trabalho, há uma crise estrutural no meio ambiente do trabalho. “O adoecimento ocupacional assumiu proporções epidêmicas, e a realidade nos obriga a abandonar a visão fragmentada da saúde do trabalhador, pois saúde física e mental são absolutamente indissociáveis”, afirma.

Para o magistrado, o programa atua como um catalisador de uma mudança cultural necessária e urgente. “Nossa contribuição se dá, primeiramente, pela desmistificação de que a prevenção é um custo. Ela é um investimento básico para a sustentabilidade de qualquer atividade econômica.”

Segundo Freitas, o objetivo do programa é garantir o cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho, fomentar a segurança psicológica nas organizações e combater o assédio moral. “É preciso repensar o volume de exigências e garantir o direito à desconexão, para que o local de trabalho seja um espaço de desenvolvimento e cidadania e jamais de adoecimento ou de perda da vida”, afirma.

Riscos invisíveis

No mundo do trabalho do século XXI, saúde e segurança envolvem riscos invisíveis, como o estresse, o assédio, a hiperconexão e outros fatores que afetam a saúde e o bem-estar de trabalhadoras e trabalhadores. Ansiedade e depressão são causas cada vez mais frequentes de afastamento, impactando diretamente a produtividade, as relações sociais e a qualidade de vida.

De acordo com a psicóloga Denise Milk, especialista em saúde mental corporativa, esse cenário se agrava quando a produtividade passa a ser tratada como valor absoluto, e o ser humano é reduzido a sua capacidade de entrega. Segundo ela, o sofrimento psíquico ainda é fortemente estigmatizado e continua sendo visto como fraqueza, despreparo e até falta de vontade. “Isso acontece tanto na sociedade quanto dentro das empresas. Ainda existe uma cultura que valoriza quem ‘aguenta tudo’, quem não demonstra vulnerabilidade e segue produzindo mesmo às custas da própria saúde.”

Para a especialista, é necessário adotar uma abordagem mais ampla, que integre corpo e mente, com prevenção e acolhimento. “O problema também está nas organizações, que muitas vezes tratam a temática apenas como discurso institucional, sem revisão real das práticas de gestão”, observa.

Integridade biopsicossocial e mudança cultural

A prevenção de acidentes é essencial para proteger a integridade biopsicossocial de quem trabalha, reduzindo os riscos e contribuindo para preservar o equilíbrio psíquico. “Ambientes que priorizam a segurança e a organização do trabalho favorecem a sensação de proteção, reconhecimento e valorização profissional, com impacto positivo no bem-estar mental”, afirma Danielle Cristina Fragas Borba Almeida, médica do trabalho do Serviço Social do Comércio (SESC/DF).

Em agosto de 2024, a Norma Regulamentadora (NR) 1 do Ministério do Trabalho e Emprego passou a reconhecer os riscos psicossociais como riscos ocupacionais. Segundo Danielle, trata-se de um avanço relevante na gestão de saúde ocupacional. “A medida reforça a necessidade de uma abordagem integrada, preventiva e multidisciplinar. A prevenção desses riscos exige uma mudança cultural organizacional, com enfoque proativo, e não apenas reativo, ao adoecimento já instalado.”

Adoecimento não é individual

Jorge Machado, professor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante do Fórum Sindical em Saúde, Trabalho e Direitos Humanos, aponta que os riscos psicossociais se manifestam em diferentes setores. Na área de saúde, situações de assédio e falta de profissionais aumentam a sobrecarga emocional. No sistema bancário, metas abusivas geram um aumento expressivo nos casos de burnout. Já trabalhadores de limpeza urbana, submetidos a longos deslocamentos, baixa remuneração e condições insalubres de trabalho, estão mais sujeitos ao esgotamento e a doenças laborais.

De acordo com Jorge Machado, o adoecimento não é individual, mas resultado direto das condições de trabalho e de vida. Enfrentar esse cenário exige mudanças estruturais. “Isso envolve ações como valorização salarial, equipes adequadas, melhoria das condições materiais e ambientes de trabalho mais humanos”, assinala. “Não existe ambiente saudável sem respeito, e, no Brasil, isso passa necessariamente pelo enfrentamento das desigualdades de gênero, raça e território.”

Justiça do Trabalho

Em 2025, mais de 540 mil ações trabalhistas foram ajuizadas com temas relacionados às condições de segurança e saúde em ambientes de trabalho. Confira:

  • Doença ocupacional: 196.424;
  • Acidentes de trabalho: 170.152;
  • Assédio moral: 142.387;
  • Condições degradantes: 17.906;
  • Assédio sexual: 12.778;
  • Limitação de uso de banheiro: 4.362.

No âmbito do TRT-11, que abrange os estados do Amazonas e de Roraima, somente em 2025 foram iniciados 13.320 novos processos envolvendo doença ocupacional; 10.426 novos processos de acidentes de trabalho; 1.096 ações trabalhistas de assédio moral; 127 de assédio sexual; 45 envolvendo condições degradantes de trabalho; e 16 processos com o tema limitaçao de uso de banheiro. 

Trabalho Seguro

Durante o mês de abril, a sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), em Brasília, será iluminada na cor verde. Mais do que conscientizar para a prevenção de acidentes, a data amplia o debate sobre a necessidade de tratar a saúde de quem trabalha de forma integral.

O Programa Trabalho Seguro, em colaboração com diversas instituições públicas e privadas, é uma iniciativa conjunta do TST e do CSJT. Seu foco está na formulação e na implementação de projetos e ações em todo o país, visando à prevenção de acidentes de trabalho e ao fortalecimento da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: TST, com edição da Coordcom
Imagem: TST

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A Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) autorizou a adoção do regime de teletrabalho na Vara do Trabalho de Manacapuru no período de 6 a 27 de abril de 2026. A medida ocorre em razão das obras de reforma na sede da unidade. 

Durante o período, o atendimento ao público, advogados e partes será realizado pelos seguintes canais:

telefone e WhatsApp: (92) 98528-3556

Balcão Virtual, pelo link: https://meet.google.com/vvh-meet-due?authuser=2

e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

 

 

  

Coordenadoria de Comunicação Social
Foto: Banco de Imagens 

gru pixO Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) lançou a nova plataforma GRU JT, um sistema unificado e modernizado para a emissão de Guias de Recolhimento da União. A partir desta segunda-feira (6), advogados (as) e jurisdicionados deverão utilizar exclusivamente a nova aplicação nacional para a emissão de qualquer GRU no âmbito da Justiça do Trabalho.

A grande inovação da GRU JT é a sua integração direta com o PagTesouro, o sistema oficial de pagamentos do Tesouro Nacional vinculado ao Ministério da Fazenda. O objetivo principal dessa integração é acabar com os erros de códigos de receita, como a confusão comum entre custas e depósitos judiciais, e garantir que o comprovante de pagamento seja validado instantaneamente no sistema, evitando atrasos na tramitação processual.

Acesse o portal da GRU JT.

Pagamentos via pix
Para o recolhimento de custas processuais, o tradicional boleto bancário será descontinuado e o pagamento passa a ser feito, prioritariamente, via Pix. Ao optar pelo Pix, o sistema gera instantaneamente um QR Code e um código copia e cola para pagamento via aplicativo bancário, oferecendo a vantagem da baixa imediata do recolhimento, sem acréscimo de taxas, o que reflete diretamente na celeridade do processo judicial.

A plataforma também oferece a opção de pagamento por Cartão de Crédito, entretanto, essa opção possui cobrança de juros na transação.

Como preenchendo a guia GRU JT?
Estruturado de forma lógica e sequencial, o preenchimento da guia deve ser feito da seguinte forma pelo usuário:

Selecione a Unidade Gestora, que corresponde ao Tribunal, e o serviço desejado.
Em seguida, informe os dados de identificação, como o CPF ou CNPJ, que conta com validação automática pelo sistema.
Para as guias judiciais, é indispensável informar o número do processo no formato padrão PJe.
Modernização e eficiência
A mudança foi regulamentada pelo Ato TST.GP Nº 158/2026 e reafirma o compromisso da Justiça do Trabalho com a modernização tecnológica e com a entrega de serviços cada vez mais eficientes, seguros e acessíveis à sociedade.

 

Coordenadoria de Comunicação Social

Texto: TST

Estudantes de diversas áreas do ensino superior podem se inscrever. Remuneração é de R$1 mil

120Se encerram no domingo (5/4) as inscrições para o processo seletivo de estágio remunerado do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR). O TRT-11 seleciona candidatos de diversas áreas do ensino superior através de prova objetiva online, com vagas que serão válidas para todos os municípios que possuem atuação do Tribunal. O estágio oferece uma bolsa mensal de R$1.035,44, mais um auxílio-transporte de R$220.

Os candidatos podem se inscrever de forma gratuita no site da Universidade Patativa do Assaré (UPA), instituição responsável pela realização do processo seletivo. A prova acontece na próxima quarta (9/4) e será disponibilizada de modo online, composta por 40 questões. Estarão na avaliação questões de língua portuguesa, noções de informática, atualidades e conhecimentos específicos de cada graduação.

Áreas de formação

De acordo com o edital publicado pela UPA, a seleção destina-se à formação de cadastro reserva para vagas nos cursos de graduação em: Administração, Arquitetura, Arquivologia, Comunicação Social (Jornalismo), Ciências Contábeis, Direito, Design Gráfico, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Economia, Estatística, História, Turismo e Tecnologia da Informação. O estagiário terá carga horária diária de quatro horas, com um total de 20 horas semanais.

O edital da seleção de estágio tem validade de um semestre a um ano, a contar da data de publicação do resultado final, sendo válido para os seguintes municípios: Manaus, Parintins, Presidente Figueiredo, Coari, Eirunepé, Humaitá, Manacapuru, Tefé, Itacoatiara, Lábrea e Boa Vista/RR.

Para mais informações, acesse AQUI o edital completo.

O que é: Processo Seletivo para estágio no TRT-11
Inscrições: até 5/4
Data das provas: 9/4
Inscrições: https://prova.universidadepatativa.com.br/login


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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Thallys Neutron
Fotos: Banco de Imagens / Thais Mannala

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