Decisão da 10ª Vara do Trabalho de Manaus, mantida pelo TRT-11, reconheceu negligência na cadeia produtiva e fixou indenização superior a R$ 1,1 milhão

267A 10ª Vara do Trabalho de Manaus condenou, de forma solidária, empresas e responsáveis por subcontratações ao pagamento de indenizações a um trabalhador que sofreu grave acidente durante a execução de serviços em prédio empresarial na capital amazonense. A sentença, proferida pela juíza titular Gisele Araújo Loureiro de Lima, já transitou em julgado. As partes celebraram acordo para pagamento integral do valor fixado na condenação.

O trabalhador foi contratado em regime de empreitada, na condição de autônomo, para prestação de serviço com pessoalidade, na instalação de vidros e esquadrias. Ele tinha 32 anos quando o acidente ocorreu, em outubro de 2021.

Durante a montagem de andaime, em área próxima à rede de alta tensão, o trabalhador sofreu um choque elétrico de grandes proporções. Em decorrência do acidente, teve amputação do antebraço esquerdo e de três dedos da mão direita, além de graves lesões na perna direita. Conforme consta no processo, ele passou por nove cirurgias, necessárias para a recuperação da perna, e longo período de internação hospitalar.

Perícia confirmou incapacidade permanente

Para apurar o nexo causal entre o acidente e as atividades exercidas, foi determinada uma perícia médica. O laudo pericial concluiu que o trabalhador apresenta “incapacidade laboral total e permanente para a função habitual (instalador de vidros e esquadrias) e incapacidade laboral parcial acentuada e permanente para atividades gerais”, sendo possível a readaptação como Pessoa com Deficiência, em atividades administrativas, sem esforço físico ou manipulação de cargas.

Negligência e ausência de proteção

Na sentença, a magistrada afastou a tese de culpa exclusiva da vítima e reconheceu a responsabilidade civil dos integrantes da cadeia produtiva. Ao analisar as circunstâncias do caso, a juíza destacou que, pela dinâmica do acidente, “conclui-se que ao reclamante não foram fornecidos equipamentos de proteção adequados para que desempenhasse as suas funções com segurança”.

A decisão registra ainda que não houve comprovação de medidas de proteção contra choques elétricos, embora o trabalho fosse realizado em andaime instalado na calçada do prédio, próximo a fios de alta tensão. Em outro trecho, a magistrada foi categórica ao afirmar: “Fica evidenciado que os tomadores de serviço não adotaram qualquer medida protetiva para impedir a ocorrência do grave acidente noticiado nestes autos”.

Responsabilidade da cadeia produtiva

Ela também ressaltou que a forma de contratação não afasta o dever de cuidado: “O fato de o reclamante ter sido contratado após uma sucessão de subcontratações não altera a circunstância de que todos os integrantes da cadeia, ao fazerem as contratações, tinham o dever de garantir condições de segurança para a ponta final do serviço”, defende.

Segundo a sentença, ficou “notória e suficientemente demonstrada a negligência de todos os integrantes da cadeia quanto ao serviço prestado pelo trabalhador, sem comprovação de condições mínimas de segurança”. Na decisão, a juíza Gisele de Lima ressaltou que “a manutenção de um meio ambiente de trabalho sadio é responsabilidade do tomador de serviços, devendo arcar com os danos derivados da inobservância desse dever”.

Indenizações fixadas

Diante da gravidade das lesões e das repercussões permanentes na vida pessoal e profissional do trabalhador, a condenação de primeira instância foi fixada de forma solidária entre as empresas envolvidas na contratação, totalizando mais de R$ 1,1 milhão, divididos em:

  • R$ 200 mil de danos morais, considerando a extensão do dano, o sofrimento físico e psicológico e a alteração definitiva na condição de vida do trabalhador;
  • R$ 401 mil de danos materiais, calculados com base no salário mínimo vigente à época do acidente, na expectativa de vida segundo dados do IBGE e com aplicação de redutor de 30%, conforme jurisprudência do TST;
  • R$ 91 mil para custeio de prótese, correspondentes ao valor do orçamento apresentado para aquisição de próteses necessárias à reabilitação funcional;
  • R$ 350 mil de danos estéticos, em razão das amputações e das cicatrizes permanentes decorrentes do acidente.

Após recurso, a 2ª instância do TRT-11 manteve a sentença em todos os termos, inclusive quanto aos valores indenizatórios. Com o trânsito em julgado da decisão, as partes voltaram à Justiça do Trabalho para firmar acordo quanto ao parcelamento do valor da condenação.

O acordo prevê o pagamento mensal de 55 parcelas iguais no valor de R$ 23 mil, iniciando em abril de 2026 e terminando em outubro de 2030. O acordo prevê multa em caso de inadimplência e atraso. Após a quitação integral do valor da condenação, o processo será encerrado.

 

* Esta matéria integra a Campanha Abril Verde do TRT-11, que durante o mês de abril repercute acordos, decisões e temas relacionados à saúde e segurança no trabalho.

#ParaTodosVerem: Trabalhador de uniforme com faixas refletivas está caído no chão de concreto, aparentemente desacordado. Um capacete branco está ao lado, fora de uso. A mão estendida em primeiro plano destaca um possível acidente de trabalho.

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda
Imagem: Freepik

Nova estrutura moderniza a unidade, amplia o conforto e reforça a atuação da Justiça do Trabalho no interior do Amazonas.

263Localizado a cerca de 1.159 km de Manaus em linha reta, o município de Eirunepé passou a contar com as novas instalações da Vara do Trabalho, inauguradas em solenidade realizada na última quarta (29/4) pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR). A cerimônia foi conduzida pelo vice-presidente do TRT-11, desembargador David Alves de Mello Júnior, e contou com a presença de autoridades locais, entre elas a prefeita Áurea Maria Ester Marques.

Durante o evento, foi realizado o descerramento da placa alusiva à entrega do novo espaço, marcando oficialmente a modernização da estrutura da Vara do Trabalho de Eirunepé. Em seus pronunciamentos, as autoridades destacaram a importância da iniciativa para o fortalecimento da Justiça do Trabalho na região e para a melhoria das condições de atendimento à população.

O vice-presidente do TRT-11, desembargador David Alves de Mello Júnior, destacou a satisfação em retornar ao município após mais de uma década e ver o prédio renovado e acolhedor para a população local, elogiando o trabalho da equipe de engenharia do tribunal, na figura do arquiteto Marcelo Tupinambá. Em tom afetivo, afirmou que deixa uma mensagem de amor, de carinho e de atenção da Justiça do Trabalho à comunidade local, ressaltando seu vínculo com o interior do estado. O magistrado também enfatizou o orgulho do TRT-11 pela Vara do Trabalho de Eirunepé e relembrou sua atuação em defesa da permanência da unidade, incentivando a população a valorizá-la e divulgá-la como patrimônio da cidade: “trabalhem para que a Justiça do Trabalho não saia daqui, quando passarem aqui na frente, mostrem e tenham orgulho de dizer que aqui é a Justiça do Trabalho da minha cidade”.

Em discurso, a prefeita de Eirunepé, Áurea Maria Ester Marques, ressaltou a importância da atuação da Justiça do Trabalho no interior, destacando que “apoiar o Judiciário na garantia de direitos da população, é mais do que um dever, é uma obrigação da gestão municipal”. Ela afirmou que o TRT-11 e a vara local podem contar integralmente com o apoio da prefeitura para assegurar um atendimento digno e eficiente aos cidadãos, reforçando que uma população com direitos respeitados “certamente será um povo mais feliz e com condições de evoluir”. A gestora também chamou atenção para os desafios impostos pelo isolamento geográfico da região, que impactam diretamente a vida dos moradores, e defendeu maior sensibilidade das autoridades para essa realidade. Ao final, agradeceu pela entrega de uma estrutura digna para servidores e jurisdicionados, destacando que iniciativas como essa representam cuidado, respeito e compromisso com a população local.

Sobre a unidade

Criada pela Lei nº 7.729/1989 e instalada em 14 de novembro de 1990, a Vara do Trabalho de Eirunepé atua há 35 anos na solução de conflitos decorrentes das relações de trabalho. A unidade possui jurisdição sobre os municípios de Envira, Ipixuna, Guajará, Itamarati e Carauari, desempenhando papel essencial na promoção do equilíbrio nas relações laborais e na pacificação social.

Como parte do processo de modernização, a unidade passou por uma ampla reforma, que incluiu a recuperação da cobertura, a substituição de revestimentos de paredes e pisos, a troca de forros e a reforma completa das instalações elétricas, hidrossanitárias, de climatização e de rede lógica. Também foram realizados serviços de pintura geral e revitalização da fachada do prédio.

Atualmente, a juíza do trabalho Gisele Araújo Loureiro de Lima é responsável pela condução das atividades jurisdicionais na Vara do Trabalho de Eirunepé. A entrega das novas instalações representa um avanço na infraestrutura do TRT-11 no interior, proporcionando melhores condições de trabalho a magistrados, servidores e colaboradores, além de um atendimento mais adequado, confortável e eficiente aos jurisdicionados da região.

Autoridades presentes

Também prestigiaram a solenidade o juiz do Trabalho do TRT-11 André dos Anjos, servidores da VT de Eirunepé, além de representantes das seguintes instituições: pela Justiça Estadual, Ella Amorim; pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Breno Travasso; pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam) Luan Alcântara; pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Tamires Henriques; pela Fazenda Pública, Samira Pinheiro de França; pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rosana Félix; pela Procuradoria do Município, procurador Antônio Klevnildo Gomes; pela Secretaria Municipal de Administração, Vivaldo Mariano; pela paróquia local, o diácono Wilker Monteiro; pelo Banco do Brasil, Marcos Tardeli; pela Marinha do Brasil, sargento Sampaio; pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Eirunepé (DTCEA-EI), tenente Anderson; e pelo Destacamento de Aeronáutica de Eirunepé (DESTAE-EI), o tenente Gil César.

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Confira a galeria de imagens.

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Martha Arruda, com colaboração de Luane Batalha e Carlos Andrade
Fotos: Carlos Andrade

Magistrado integrou a programação do evento promovido pela SRTE/AM e destacou a importância da prevenção de acidentes e dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho

252O desembargador do Trabalho Audaliphal Hildebrando da Silva, do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), participou, nesta terça-feira (28/4), do 3º Encontro Estadual de Segurança e Saúde no Trabalho – Canpat 2026, realizado no auditório do Senai, no Distrito Industrial de Manaus. Promovido pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRTE/AM), com apoio de instituições parceiras, o evento reuniu representantes de órgãos públicos, especialistas e profissionais da área para discutir a prevenção de riscos psicossociais no ambiente laboral.

Além do desembargador do TRT-11, também participaram do evento as juízas do Trabalho Andrezza Vieira e Bárbara Silveira, gestoras regionais do Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho- Programa Trabalho Seguro (PTS) na Justiça do Trabalho da 11ª Região. O evento fez parte da programação especial da Campanha Abril Verde. 

Palestra

O magistrado Audaliphal Hildebrando, coordenador do Programa Trabalho Seguro no âmbito do TRT-11, integrou a mesa de abertura e também atuou como palestrante na programação oficial. Ele proferiu a palestra “Um dia em memória às vítimas de acidentes do trabalho”, em alusão ao Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado dia 28 de abril, destacando a importância da conscientização e da adoção de medidas efetivas de prevenção.

253Durante sua participação, o desembargador ressaltou o papel da Justiça do Trabalho na promoção de ambientes laborais seguros e saudáveis, enfatizou a necessidade de atuação conjunta entre empregadores, trabalhadores e instituições públicas. Ele também chamou atenção para os impactos dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais, não apenas no âmbito individual, mas em toda a sociedade.

Com o tema “Pela prevenção dos riscos psicossociais no trabalho”, o encontro buscou fomentar o debate qualificado sobre saúde mental, organização do trabalho e responsabilidade institucional na garantia de condições dignas de trabalho. A programação incluiu ainda palestras sobre gestão de riscos ocupacionais, liderança em segurança e saúde no trabalho e espaço para perguntas e debates.

O evento foi voltado a trabalhadores, empregadores, profissionais de saúde e segurança do trabalho, integrantes de CIPA e SESMT, além de representantes sindicais, estudantes e sociedade civil, reforçando o compromisso coletivo com a promoção da saúde e segurança no ambiente laboral.

 

 

 

 

 

Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Coordcom
Fotos: Liliane Diniz/SRTE-AM

Evento ocorre na Sede Administrativa do Tribunal e busca valorizar o trabalho de artesãs locais

246Presentear com afeto e originalidade é a proposta do Bazar do Dia das Mães do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), que vai acontecer nos dias 4, 5, 7 a 8 de maio, no salão de entrada da Sede Administrativa. Integrantes do TRT-11 e o público externo estão convidados a prestigiar o bazar.

A iniciativa está alinhada ao propósito de valorizar o trabalho de artesãs locais, que terão a oportunidade de expor e comercializar suas criações. Os espaços irão reunir dezenas de expositoras com uma variedade de produtos artesanais — entre eles taças pintadas à mão, peças de decoração, bordados e acessórios.

Autorizado pela Secretaria-Geral da Presidência, o tradicional Bazar do Dia das Mães é organizado pela Coordenadoria de Cerimonial. O evento conta com o apoio da Coordenadoria de Comunicação Social, responsável pela produção do material gráfico e divulgação, assim como da Coordenadoria de Polícia Judicial, que atuará garantindo a segurança do espaço. A realização de mais uma edição do bazar representa o compromisso institucional do TRT-11 com o fomento ao empreendedorismo feminino e à economia criativa.

 

Evento: Bazar do Dia das Mães
Local: salão de entrada da Sede Administrativa do TRT-11
Endereço: Av. Tefé, 930 – Praça 14 de Janeiro, Manaus/AM
Data: 4, 5, 7 e 8 de maio de 2025
Horário: 8h às 14h

#PraTodosVerem: Arte com fundo em tom roxo vibrante, com textura suave e elementos decorativos como corações e sacolas de compras em transparência. No centro, em letras grandes e brancas, está escrito “Bazar dia das Mães”, com destaque para a palavra “Mães” em fonte maior.

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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Thallys Neutron
Artes: Danilo Moutinho

Evento voltado a pessoas em situação de rua ocorre no dia 5/5, como parte da programação do PopRuaJud

212O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), através da Ouvidoria Regional, participará, no dia 5 de maio, de um mutirão social no Centro Pop de Manaus, localizado na Avenida Joaquim Nabuco. Coordenada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a ação interinstitucional visa ampliar o acesso à justiça, à cidadania e a serviços básicos para pessoas em situação de vulnerabilidade social, contando com a participação de vários órgãos parceiros.

Durante a ação, a Justiça do Trabalho oferecerá orientação e esclarecimento de dúvidas sobre direitos trabalhistas; explicação sobre os serviços da Justiça do Trabalho e distribuição de materiais informativos sobre as atividades da Ouvidoria do Tribunal.

Sobre a ação
O PopRuaJud – Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades – é voltado à promoção da dignidade, proteção de direitos e inclusão social das pessoas em situação de rua, aproximando o Judiciário das populações mais vulneráveis de Manaus. No TRT-11, o PopRuaJud é gerido pelo Comitê Multinível e Multissetorial de Atenção às Pessoas em Situação de Rua, presidido pela desembargadora Ormy da Conceição Dias Bentes, ouvidora regional.

A desembargadora ouvidora explica que o PopRuaJud tem como propósito nos lembrar que a justiça só é plena quando alcança a todos, sem distinção. “A população em situação de rua é diversa, plural e marcada por diferentes trajetórias na vida. Crianças, idosos, migrantes, indígenas, pessoas com deficiência, egressos do sistema prisional - todos merecem ser vistos, ouvidos e respeitados em sua integralidade”, afirma a magistrada.

Centro Pop
O Centro Pop, localizado próximo à Feira da Banana e à Praça dos Remédios, é um órgão da Prefeitura Municipal inaugurado em outubro de 2025, com o objetivo de acolher pessoas em situação de rua. Além do TRT-11, também estarão presentes no local: Tribunal Regional Federal (TRF); Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM); Defensoria Pública da União; Defensoria Itinerante; dez cartórios; Cruz Vermelha, entre outros órgãos.

Serviço: Mutirão PopRuaJud
Data: 5 de maio (terça-feira)
Local: Centro Pop (Av. Joaquim Nabuco, 144 - Centro).
Horário: 8h às 17h

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Coordenadoria de Comunicação Social
Texto: Thallys Neutron, com informações da Ouvidoria
Arte: Thais Mannala
Foto: Semcom / PMM

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